Com 8 mil eventos literários, Afonso Borges vence prêmio ‘Faz Diferença’

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Em seu apartamento em Belo Horizonte repleto de santos, velas que acende aos amigos, arte e livros autografados, Afonso Borges faz silêncio e escuta com atenção. Busca a afinação exata de suas cordas. Seu segredo para construir aquela orquestra em forma de um violão: ouvir.

É com esse princípio também que o gestor cultural marca sua vida, recompensada neste fim de semana pelo prêmio Faz Diferença de 2026, na categoria Livros. Sua “diferença”: transformar o livro em um poderoso instrumento de construção de uma sociedade inclusiva, democrática, criativa e ousada.

Em 40 anos, Borges organizou 8 mil eventos literários e é o criador do “Sempre um papo”, marco na divulgação de livros e autores no Brasil. Por sua festa já passaram nomes como Toni Morrison e José Saramago.

Mas é o apoio à literatura nacional que o colocou como um gestor cultural incontornável. Nas últimas décadas, construiu palcos para o encontro entre autores e leitores em cidades como Paracatu, Araxá, Petrópolis e Itabira.

Encarou os principais desafios da humanidade e usou a arte como instrumento de subversão contra injustiças.

Há poucos anos, quando comentou sobre o tema que havia escolhido para um de seus festivais, em Paracatu, o mineiro revelou como vê o mundo: “a melhor saída para uma encruzilhada é sempre a mais ética, a mais humana. É o nosso desafio”.

Num desfile de pensadoras e pensadores como Geni Nunez, Trudruá Dorrico, Ailton Krenak, Alexandre Coimbra, Frei Betto, Carla Madeira, Eliana Alves Cruz, Natalia Timerman, Bianca Santana, Conceição Evaristo, Miriam Leitão, Eugênio Bucci, Lívia Sant’Anna Vaz, Socorro Acioli, Tamara Klink, Tom Farias, Tino Freitas, Paloma Jorge Amado, Alessandra Roscoe, Leo Cunha, Juliana Monteiro e Xico Sá, Afonso Borges convoca os autores e leitores a amar a humanidade.

Amar não como destino. Mas como arma de transformação das consciências para permitir que possamos reconhecer que precisamos de uma mudança fundamental nas concepções intelectuais, culturais e psicológicas para redefinir quem somos.

Em seu percurso, o mineiro se lançou também na recuperação da ancestralidade como caminho para romper a distinção entre natureza e sociedade, entre história natural e história humana.

Com um amor subversivo, como escuta e a ancestralidade como bússolas e a literatura como arma, Afonso Borges não apenas realiza festivais culturais e promove o livro. Ele traça o rascunho de um mapa sobre como construir um novo mundo.

 





ICL Notícias

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