O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, enfrenta pressão crescente para restringir o uso de bases aéreas britânicas por forças dos Estados Unidos após declarações do presidente Donald Trump sobre o Irã. As informações são do jornal britânico The Guardian.
Trump afirmou que “toda uma civilização” poderia morrer caso o Irã não aceitasse suas exigências, o que ampliou as críticas dentro do cenário político britânico. o governo do primeiro-ministro não condenou diretamente as declarações.
Segundo a reportagem, o governo britânico autorizou o uso de suas bases pelos EUA apenas para ações consideradas defensivas, como operações contra instalações de mísseis. Ataques a infraestruturas civis, como usinas de energia, mencionados por Trump, não estariam incluídos nessa permissão.
Partidos de oposição, como os Liberais Democratas e os Verdes, além de parte da bancada trabalhista, reagiram pedindo que o governo adote medidas mais rígidas diante do prazo estabelecido por Trump para que o Irã cumpra suas condições.
Até mesmo Nigel Farage, líder do partido Reform UK e aliado político de Trump no país, criticou as declarações, classificando-as como “exageradas”.
O governo britânico evitou comentar diretamente o tema. Questionado sobre a possibilidade de limitar o uso das bases em caso de ataques a alvos civis — cenário que especialistas apontam como potencial crime de guerra —, um porta-voz de Starmer afirmou que não iria comentar “hipóteses”.
O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, defendeu o bloqueio imediato de missões americanas que partam de bases no Reino Unido ou de instalações conjuntas, como Diego Garcia, no Oceano Índico, e a RAF Fairford, na Inglaterra. Segundo ele, permitir essas operações pode tornar o país “cúmplice de crimes de guerra”.
Zack Polanski, líder do Partido Verde na Inglaterra e no País de Gales, fez apelo semelhante e afirmou que o Reino Unido precisa impedir o uso de suas bases em uma guerra que, segundo ele, envolve violações do direito internacional.



