Petróleo sobe 10% e operadores dizem que pode ir a US$ 100 por guerra no Golfo

0
21


Apesar de os mercados futuros estarem fechados durante o fim de semana, negociações no mercado de balcão já indicam disparada nos contratos de petróleo. O barril do tipo Brent crude avançou cerca de 10% neste domingo, chegando a US$ 80, em meio ao aumento das tensões após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o que ampliou o risco de um conflito de maior escala no Oriente Médio.

Na sexta-feira, antes do encerramento das negociações, o Brent já havia alcançado US$ 73 por barril — o maior patamar desde julho — refletindo o agravamento do cenário geopolítico. Especialistas avaliam que, com a retomada das operações, as cotações podem se aproximar ou até superar US$ 100, dependendo dos desdobramentos da crise.

A principal apreensão do mercado envolve uma possível interrupção no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula mais de 20% do petróleo mundial. Após alertas emitidos por Teerã, grande parte dos armadores e empresas do setor decidiu suspender temporariamente o transporte de petróleo, derivados e gás natural liquefeito pela região.

Analistas alertam que um bloqueio total da passagem poderia gerar um choque de oferta comparável ao da década de 1970. Cálculos indicam que entre 8 e 10 milhões de barris por dia poderiam sair do mercado, mesmo considerando alternativas como o oleoduto Este-Oeste da Arábia Saudita e a infraestrutura de escoamento de Abu Dhabi.

Embora a Opep+ tenha anunciado um aumento modesto de 206 mil barris diários a partir de abril — volume inferior a 0,2% da demanda global —, analistas consideram a medida insuficiente para neutralizar eventuais perdas relevantes na oferta.

As projeções divergem: há estimativas de abertura próxima a US$ 100 por barril, enquanto análises mais cautelosas apontam manutenção acima de US$ 90 no curto prazo. A consultoria Rystad Energy projeta uma alta imediata de US$ 20, levando o Brent para cerca de US$ 92 na reabertura dos mercados.

A instabilidade também coloca governos e refinarias asiáticas em alerta, com revisão de estoques e busca por rotas alternativas de abastecimento. A Índia, por exemplo, pode ampliar a importação de petróleo russo para compensar eventuais restrições no Oriente Médio.

O contexto reforça o receio de que a escalada de tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel gere não apenas impactos geopolíticos, mas também uma nova onda de pressão inflacionária global, impulsionada pelo encarecimento da energia





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui