Por Sam West, Dimitrios Koutoukidis e Susan Jebb – The Conversation
As injeções para perda de peso, como Wegovy e Mounjaro, têm sido aclamadas como revolucionárias. Em ensaios clínicos, as pessoas perderam em média 15% a 20% do seu peso corporal — resultados que pareciam quase milagrosos em comparação com os programas tradicionais de dieta e exercício físico.
Hoje, uma em cada 50 pessoas no Reino Unido está usando esses tratamentos. A maioria delas – cerca de 90% – está pagando por conta própria, a um custo de £ 120 a £ 250 por mês (de R$ 800 a R$ 1.800). Mas há um porém: mais da metade das pessoas para de tomar os medicamentos em um ano, sendo o custo o principal motivo.
Nossa última pesquisa revela o que acontece na sequência à interrupção, e isso é preocupante. Em média, em ensaios clínicos, as pessoas recuperam todo o peso perdido em apenas 18 meses após interromperem a medicação.
Isso é surpreendentemente rápido – quase quatro vezes mais rápido do que o ganho de peso observado após a interrupção de programas de perda de peso baseados em dieta e atividade física. Outras melhorias também desaparecem, com a pressão arterial, o colesterol e os níveis de açúcar no sangue voltando aos valores iniciais.
Isso é importante porque significa que esses medicamentos podem precisar ser tomados a longo prazo – provavelmente por toda a vida – para manter os benefícios.
A rápida retomada de peso levanta sérias questões sobre a equidade na oferta dos produtos e se esses tratamentos representam um bom custo-benefício para o NHS. A obesidade é muito mais comum entre pessoas que vivem em áreas carentes, que também são as menos capazes de pagar por tratamentos privados. O acesso ao NHS é crucial para garantir que todos recebam cuidados iguais, independentemente de sua renda.
O NHS está gradualmente implementando esses medicamentos, mas apenas para pessoas com obesidade grave (IMC acima de 40) e quatro condições relacionadas à obesidade, como hipertensão arterial. Isso significa que muitas pessoas que poderiam se beneficiar são efetivamente excluídas, a menos que possam pagar por um tratamento privado.
Os custos podem eventualmente diminuir à medida que as patentes dos medicamentos existentes expiram e versões orais mais baratas são desenvolvidas, mas isso pode levar anos. Enquanto isso, precisamos garantir que o acesso do NHS a esses medicamentos ofereça o melhor valor possível para que mais pessoas possam se beneficiar.
Custo x benefícios
O Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados aprovou esses medicamentos para uso pelo NHS porque os considerou econômicos de acordo com seus padrões habituais. Mas esses cálculos pressupunham que o tratamento duraria dois anos, com o peso sendo recuperado após três anos da interrupção. Nossos dados mostram que, se o tratamento for interrompido, o peso volta surpreendentemente rápido.
Também descobrimos que as melhorias em aspectos como pressão arterial e colesterol – as principais razões pelas quais o NHS trata a obesidade – desapareceram no mesmo período. Isso significa que os tratamentos podem precisar ser continuados a longo prazo para alcançar perda de peso duradoura e benefícios à saúde, o que muda completamente os cálculos de custo.
São necessárias mais pesquisas para estimar a real relação custo-benefício desses medicamentos, fora dos ensaios clínicos cuidadosamente controlados e para os pacientes reais em tratamento.
Para pessoas com obesidade que ainda não se qualificam para o medicamento com base nos critérios rigorosos do NHS, o medicamento pode não ser econômico para uso generalizado pelo NHS até que o preço caia substancialmente.
Para essa população, os programas tradicionais de controle de peso continuam sendo a base do tratamento da obesidade. Programas de substituição total da dieta, durante os quais as pessoas consomem sopas e shakes nutricionalmente equilibrados em vez de alimentos regulares por oito a 12 semanas, podem alcançar uma perda de peso semelhante à dos medicamentos por uma fração do custo.
Programas de perda de peso em grupo, como WW e Slimming World, alcançam perdas de peso médias menores, mas podem ser econômicos e até mesmo economizar dinheiro para o Sistema Nacional de Saúde (NHS).
Os novos medicamentos para perda de peso mostraram o quanto as pessoas desejam desesperadamente ajuda para perder peso. Mas a questão da relação custo-benefício permanece incerta. Disponibilizar programas de perda de peso mais baratos para qualquer pessoa com obesidade que deseje apoio permitiria um acesso mais justo ao tratamento e melhoraria a saúde pública, embora os resultados individuais provavelmente sejam menos expressivos do que os que poderiam ser alcançados com medicação de longo prazo.



