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Quando as estrelas se vão, guardamos o brilho

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Em apenas quarenta e oito horas, fomos surpreendidos por duas despedidas que deixaram um vazio impossível de medir. Na quinta-feira, Socorro Marília partiu aos 63 anos. No sábado, Robertinho, aos 55. Dois nomes. Duas histórias. Duas vidas que, embora diferentes, tinham algo em comum: nasceram para fazer o bem e encontraram na simplicidade a mais bela forma de grandeza.

Agora, resta à grande família enfrentar o mais difícil dos caminhos: aprender a conviver com a saudade. Reorganizar a vida. Recomeçar. Encontrar forças onde hoje só existe silêncio. Porque a morte encerra uma existência, mas nunca interrompe o amor que foi construído ao longo dos anos.

Socorro Marília deixa três filhas(Poliana, Ana e Bia), um neto e uma multidão de amigos que hoje choram sua ausência. Filha da Praça 14 de Janeiro, onde viveu toda a sua história, era conhecida por transformar qualquer encontro em um momento de alegria. Sambista de Raiz, nunca perdeu o rebolado e o sapateado cadenciado.  A vida lhe apresentou dores profundas. Perdeu pai e mãe, enfrentou desafios que poderiam endurecer qualquer coração. Mas escolheu outro caminho. Escolheu sorrir.

Seu carinho não fazia distinção. Era distribuído em gestos simples, em palavras doces, em abraços sinceros e na atenção dedicada a todos que cruzavam seu caminho. Sua delicadeza era sua maior força. Sua presença iluminava as rodas de conversa, aquecia o ambiente familiar e encontrava na Escola de Samba Vitória Régia, como integrante da Harmonia, mais um lugar para celebrar aquilo que mais sabia fazer: viver entre pessoas.

Sua ausência deixará um espaço impossível de ocupar.

Robertinho também era desses seres humanos que parecem ter recebido de Deus uma missão especial: cuidar das pessoas.

Nascido e criado no Japiim, tornou-se muito mais que um morador do bairro, apoderou-se de parte da cidade de Manaus. Poucos homens conquistaram tantos amigos em tantos lugares diferentes. No futebol, nas mesas de dominó, nas pescarias, no Mercadão, no trabalho, na igreja, no JiuJitsu, Nas quadras, nos campos ou em qualquer esquina onde houvesse uma boa conversa, lá estava Robertinho, sempre cercado por sorrisos e fazendo todos cairem na gargalhada.

Deixa sua esposa Tatiana, os filhos Luana e Roberto Neto, a neta Maria, quatro sobrinhos de sangue e incontáveis irmãos escolhidos pela vida.

Porque amigo era a palavra que melhor definia quem ele era.

Robertinho possuía um raro talento: ninguém ficava para trás. Não importava a dificuldade, ele encontrava um jeito de ajudar. Não importava o problema, dividia o peso. Não importava a distância, fazia questão de estar presente. Sua felicidade parecia aumentar sempre que conseguia aliviar a dor de alguém.

Ao seu redor, todos se sentiam protegidos. Acolhidos. Alimentados não apenas pela fartura de sua mesa, mas principalmente pela abundância de seu coração.

Talvez por isso sua despedida tenha sido tomada por lágrimas tão sinceras. Eram lágrimas de gratidão. Porque quem vive para os outros jamais parte sozinho. Leva consigo um pedaço do coração de cada pessoa que teve o privilégio de encontrar.

É difícil compreender por que Deus escolhe chamar tão cedo pessoas que ainda tinham tanto amor para oferecer. Difícil aceitar que, em menos de dois dias, perdemos duas almas tão generosas.

O mundo fica menor quando pessoas assim partem.

Manaus perde um pouco de sua alegria. A Praça 14 perde uma de suas filhas mais queridas. O Japiim se despede de um de seus maiores símbolos de amizade. A Vitória Régia canta mais baixo. As rodas de amigos ficam mais silenciosas. As reuniões de família já não serão exatamente as mesmas.

E nós… seguimos.

Porque a vida nos obriga a levantar. A continuar a caminhada. A cumprir nossos dias. Mas ninguém volta a sorrir do mesmo jeito depois de perder pessoas que fizeram do amor uma forma de existir.

Talvez seja essa a maior herança deixada por Socorro Marília e Robertinho: ensinar que viver não é contar os anos. É contar os abraços distribuídos, as mãos estendidas, os amigos conquistados e o bem que fomos capazes de fazer enquanto estivemos aqui.

Algumas pessoas passam pela vida.

Outras permanecem nela para sempre.

Socorro Marília e Robertinho pertencem a esse segundo grupo.

Que Deus os receba em Seus braços e transforme a saudade de hoje na eterna lembrança de duas vidas que fizeram deste mundo um lugar melhor.

Porque existem pessoas que nunca morrem.

Elas apenas deixam de caminhar ao nosso lado para viver, definitivamente, dentro de nós.

 

Por:  Nailson Castro (Primo)

 

 

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