Em tempos de telas e jogos digitais, uma tradição simples e colorida ainda sobrevive nos céus do Amazonas: a brincadeira de soltar papagaio. Feito de varetas, papel de seda e linha, o brinquedo — também chamado de arraia ou pipa em outras regiões — é um símbolo da infância amazônica, especialmente nas comunidades ribeirinhas e nos bairros mais antigos de Manaus.
Para celebrar essa tradição, um grupo de amigos, PIPEIROS DA ARENA, ligados a atividade vai realizar, no próximo domingo (12), uma grande festa em homenagem ao Dia das Crianças, na Arena da Amazônia. O evento será gratuito e contará com a distribuição de pelo menos 500 papagaios para crianças e adolescentes. Além da entrega dos brinquedos, haverá apresentações culturais e oficinas ensinando como construir e soltar papagaios com segurança.
Segundo os organizadores, a ideia é resgatar e desmistificar uma das brincadeiras mais populares e tradicionais da infância amazonense e reforçar a importância de manter viva a cultura local. “O papagaio é mais do que um brinquedo. É um símbolo de liberdade, criatividade e convivência. Queremos que as novas gerações sintam essa alegria de ver o céu colorido”, explica o pipeiro Wilson Nardy Folhinha (nome fictício a pedido do personagem).
Com o vento das tardes amazônicas, meninos e meninas enchem os quintais, ruas e campos de cor. “Aprendi com meu pai a fazer papagaio. A gente colhi as talas de buriti, limpava, fazia a amarração e colava o papel. Depois subíamos pro terreno aberto e fazíamos a festa”, relembra Folhinha, morador da Zona Oeste de Manaus. “Hoje ensino pros meus sobrinhos, pros filhos dos meus amigos, pra eles aprenderem e não esquecerem o que é brincar de verdade.”
Além do aspecto lúdico, a brincadeira também revela o talento artesanal dos amazonenses. Os papagaios são feitos à mão e enfeitados com desenhos e cores vivas. Em algumas comunidades, há até pequenas competições informais para ver quem consegue deixar o papagaio mais alto ou o mais bonito.
Mas nem tudo é diversão. O uso de linhas cortantes, conhecidas como “cerol”, preocupa autoridades e famílias. O material, feito com cola e vidro moído, pode causar acidentes graves. Por isso, os organizadores reforçam que durante o evento será proibido o uso de cerol, e haverá ações educativas para alertar sobre os riscos, como a distribuição de ANTENAS CORTA LINHAS. “A ideia é manter a tradição, mas com segurança. O papagaio é cultura popular, faz parte da memória do povo do Amazonas”, reforça WILSON NARDY.
Resistente ao tempo e à modernidade, o papagaio continua sendo um elo entre gerações — um brinquedo simples que carrega consigo o sopro da infância, o vento das tardes amazônicas e a alegria de ver o céu riscado de cores.
A FESTA SERÁ REALIZADA NA ARENA DA AMAZÔNIA, COM ENTRADA GRATUITA.
