Agosto começou e tem gente sentindo calafrios com a chegada do mês. Na politica brasileira, a fama é a pior possível. Getúlio Vargas morreu em agosto de 1954, poucos dias depois do atentado que feriu Carlos Lacerda e matou o Major Vaz na rua Tonelero . Jânio Quadros renunciou em agosto, com o intuito de permanecer no poder. JK morreu em agosto também.
Mas…
Líbero Badaró morreu em novembro de 1830 (o assassinato detonou a crise da abdicação de D. Pedro I). João Pessoa morreu em julho (o assassinato precipitou a revolução – ou o golpe, escolham – de 1930). Deodoro da Fonseca renunciou dando chilique em novembro de 1891, com a Armada ameaçando bombardear o Rio de Janeiro. Floriano Peixoto, o vice, botou a arma na mesa e assumiu na marra.
O atentado a Prudente de Moraes, praticado pelo soldado Marcelino Bispo, foi em novembro de 1897. O presidente Afonso Pena teve um piripaque e morreu no meio do mandato, em junho de 1909. Ruy Barbosa compareceu ao velório e ficou preso em um elevador do Palácio do Catete.
No Império, D. Pedro I abdicou em abril de 1831. Na República, Manso de Paiva apunhalou Pinheiro Machado em setembro de 1915. Moreira César morreu em março de 1897, durante um tresloucado ataque a Canudos.
O golpe preventivo do Marechal Lott, com o exército mandando bala no cruzador Tamandaré com o Carlos Luz a bordo, foi em novembro de 1955. O AI-5 foi lançado em dezembro de 1968, aprofundando um golpe dado entre 31 de março e 1 de abril de 1964. A gripe espanhola levou o presidente eleito Rodrigues Alves em janeiro de 1919. Delfim Moreira era o vice e tinha comportamento de doido.
E por aí vai.
Agosto leva a fama sozinho, mas o calendário de crises, mortes e maluquices da política brasileira é vasto e não poupa mês algum. Eu tenho uma tese sobre isso: botem um feriado nacional em agosto e garanto que a gente passa a ver o propalado mês do desgosto e do cachorro louco com mais carinho.
