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Saiba quem é Ali Khamenei, o implacável líder supremo do Irã

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Por AFP

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, cuja morte foi anunciada neste sábado (28)
pelo presidente americano, Donald Trump, foi um estrategista habilidoso que nunca hesitou
em recorrer à repressão e que superou muitas crises à frente do sistema teocrático da
república islâmica.

Por enquanto, o Irã não confirmou o falecimento do dirigente de 86 anos, mas Donald Trump
publicou em sua rede Truth Social que “Khamenei, uma das pessoas mais perversas da
história, está morto”.

Khamenei dominou o Irã desde que assumiu o poder em 1989, sucedendo o fundador da
república islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Ao longo de décadas, reprimiu brutalmente uma série de protestos, como a mobilização
estudantil de 1999, as manifestações em massa desencadeadas em 2009 por eleições
presidenciais controversas e uma onda de contestação em 2019.

Sempre com turbante preto e uma espessa barba branca, Khamenei também sufocou
duramente o movimento “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022-2023, desencadeado pela morte
de Mahsa Amini, detida por supostamente infringir o rígido código de vestimenta imposto às
mulheres.

O líder supremo teve que se esconder durante a guerra de 12 dias em junho de 2025
provocada por um ataque sem precedentes de Israel, seu inimigo ferrenho, que evidenciou a
profunda penetração dos serviços de inteligência israelenses nas estruturas iranianas.

Mas ele sobreviveu à guerra e, diante da nova onda de protestos que sacudiu o país no início
deste ano e cuja repressão resultou em milhares de mortos, segundo várias ONGs, apareceu
desafiador como nunca.

“Descontentamento público”

Em um contexto de ameaça constante de ataques israelenses ou americanos, o líder
supremo, conhecido por levar uma vida simples e sem luxos, esteve ultimamente sob alta
proteção.

Suas aparições públicas, relativamente pouco frequentes, nunca eram anunciadas com
antecedência nem transmitidas ao vivo.

Nunca saiu do país desde que assumiu o poder, assim como o aiatolá Khomeini, que retornou
ao Irã vindo da França durante a revolução islâmica de 1979.

Sua última viagem conhecida ao exterior remonta a 1989, quando era presidente, para uma
visita oficial à Coreia do Norte.

Durante muito tempo se especulou sobre sua saúde, dada sua idade. Tinha o braço direito
paralisado desde que sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 1981, que as autoridades
sempre atribuíram a um grupo agora ilegalizado de antigos aliados da revolução.

Ativismo

Khamenei, filho de um imã, nasceu em uma família pobre. Seu ativismo político contra o xá
Reza Pahlavi, apoiado pelos Estados Unidos, fez com que passasse grande parte das décadas
de 1960 e 1970 na prisão.

Sua lealdade ao aiatolá Khomeini foi recompensada em 1980, quando lhe foi confiada a
importante tarefa de dirigir as orações de sexta-feira em Teerã.

Eleito presidente um ano depois, após o assassinato de Mohammad Ali Rajai, inicialmente
não era considerado o sucessor natural de seu mentor.

No entanto, pouco antes de sua morte, este último destituiu o favorito, o aiatolá Hossein
Montazeri, que havia denunciado as execuções em massa de membros do grupo Mujahedin
do Povo e outros dissidentes.

Os Mujahedin do Povo foram aliados da Revolução, mas atualmente estão proibidos no país.
A essa organização é atribuído o assassinato de Rajai.

Após a morte de Khomeini, Khamenei inicialmente rejeitou, em um episódio que se tornou
famoso, sua designação como líder pela Assembleia dos Peritos — o mais alto órgão clerical
da República Islâmica — antes que os religiosos se levantassem para ratificar sua nomeação.

Desde então, seu controle sobre o poder nunca diminuiu e, pelo contrário, reforçou a
ideologia radical do sistema, incluindo o confronto com o “Grande Satã” americano e a
recusa em reconhecer a existência de Israel.

Khamenei trabalhou com seis presidentes eleitos, um cargo muito menos poderoso que o de
líder supremo.

Embora em alguns casos lhes tenha sido permitido tentar realizar reformas cautelosas e uma
aproximação com o Ocidente, no final Khamenei sempre se colocou ao lado dos partidários
da linha dura.

Acredita-se que tenha seis filhos, embora apenas um, Mojtaba, tenha relevância pública. Ele
foi sancionado pelos Estados Unidos em 2019 e é uma das figuras mais poderosas nos
bastidores no Irã.





ICL Notícias

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