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PF apura elo entre Zema, Vorcaro e Banco Master

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Por Cleber Lourenço

A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) protocolou nesta quinta-feira uma notícia-crime na Polícia Federal pedindo investigação sobre a relação entre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a família Vorcaro e o Banco Master.

A parlamentar aponta suspeitas de favorecimento ao Credcesta — cartão de benefício consignado direcionado a servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS — após mudanças na legislação estadual que ampliaram a margem consignável dos servidores públicos.

Segundo a peça enviada à PF, o governo mineiro ampliou em 10% a margem de consignação para operações exclusivas de cartão consignado. A medida foi estabelecida pela Lei nº 23.923/2021 e regulamentada posteriormente por decreto assinado por Zema.

Bella afirma que o mandato começou a investigar o caso após receber denúncias de servidores estaduais e municipais sobre superendividamento e cobranças irregulares ligadas ao Credcesta.

“Há alguns meses, nós começamos a ser procurados por servidores do Estado endividados a partir de cobranças irregulares que têm sido feitas do Credcesta. Também por servidores municipais que aderiram ao Credcesta”, afirmou ao ICL Notícias.

Segundo a deputada, a investigação identificou que o produto estava diretamente ligado ao Banco Master e teria sido beneficiado pelas mudanças promovidas pelo governo mineiro.

“Começamos a investigar que o Credcesta está vinculado diretamente ao Banco Master e que foi beneficiado por um projeto de lei sancionado pelo governador Zema e também por um decreto publicado pelo governador que autorizou a ampliação da margem consignável do servidor público em mais 10%”, declarou.

A parlamentar afirma que a medida elevou o potencial de endividamento dos servidores para até 40% da renda mensal.

“Olha quem estava justamente naquele momento vendendo aos servidores públicos o Credcesta: o Banco Master”, afirmou.

Deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) – Foto: ALMG

Doações e consignado

A notícia-crime cita ainda que Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, doou R$ 1 milhão ao Partido Novo durante a eleição de 2022.

“Então a gente percebe a relação entre o governo Zema e o Banco Master a partir de um beneficiamento que se justifica também pelo fato do pai do Daniel Vorcaro ter sido o maior doador daquela eleição do governador Zema”, afirmou Bella.

A deputada também relacionou o caso a medidas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro envolvendo operações de crédito consignado.

“Da mesma forma, a família Vorcaro foi a maior financiadora da campanha do Bolsonaro. E o Bolsonaro fez um decreto semelhante, alterando um decreto do INSS para permitir o consignado”, declarou.

Bella afirma que o caso se encaixa em um padrão de favorecimento político após financiamento eleitoral. Ela cita o empresário Salim Mattar, fundador da Localiza e um dos principais financiadores da campanha de Zema.

“Um dos grandes doadores de campanha do Zema foi Salim Mattar. O projeto de lei colocado na Assembleia beneficiava diretamente as locadoras de veículos”, afirmou.

Na notícia-crime, a deputada pede que a Polícia Federal investigue possíveis atos de corrupção ativa e passiva e eventuais irregularidades envolvendo operações de crédito consignado ligadas ao Credcesta.

Bella afirmou ainda que pretende solicitar investigação ao Tribunal de Contas e acompanhamento do caso pelo Ministério Público Federal.

“É importante dizer que isso tudo vem à tona em um momento em que o governador critica Flávio Bolsonaro por ter pedido milhões ao Daniel Vorcaro para o filme do pai. Mas ele próprio tem relação com a família Vorcaro, foi financiado pela família e beneficiou o Banco Master com a lei e o decreto que disseminaram o consignado pelo Credcesta no estado de Minas Gerais”, declarou.





ICL Notícias

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