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Petróleo sobe mais de 2%, vai a US$ 111 e atinge maior preço desde maio

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Por Fernando Narazaki

(Folhapress) – O preço do petróleo subiu mais de 2% nesta terça-feira (20) e atingiu o seu maior valor em mais de cinco meses após a Guarda Revolucionária do Irã divulgar que mais navios pegaram fogo após passarem por minas que estão no estreito de Ormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.

O barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 111,75 (R$ 564,07), alta de 2,01%, por volta das 6h30 (horário de Brasília). É o maior valor desde 5 de maio, quando o petróleo atingiu US$ 114,44. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava em US$ 101,11 (R$ 510,36), valorização de 2,61%, por volta das 8h30.

O preço vem subindo desde a semana passada e voltou à casa de US$ 110 na última sexta-feira (16), quando o Irã passou a anunciar casos de navios incendiados na região de Ormuzapós passarem por minas marítimas.

Ao menos seis embarcações foram danificadas desde então, sendo que os casos mais recentes foram dois navios nesta terça. A Guarda Revolucionária do Irã disse que as embarcações tentavam cruzar a parte sul do estreito. Eles não teriam autorização para navegar pelo local, segundo o braço militar do regime. A Guarda Revolucionária também divulgou que um drone dos EUA foi derrubado pelo Irã na noite de segunda-feira (19).

A situação aumenta a preocupação das empresas que realizam o transporte marítimo na região em um momento que os estoques continuam ameaçados, já que o fornecimento está reduzido desde 28 de fevereiro, quando começaram os ataques de EUA e Israel sobre o Irã, que retaliou com bombardeiros e o bloqueio de Ormuz.

Além dos navios incendiados, outra preocupação é o conflito entre houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e a Arábia Saudita, que ganhou intensidade a partir de setembro. Nas últimas semanas, o grupo passou a atacar instalações de energia, aeroportos e outros pontos estratégicos no território saudita, que respondeu com bombardeios.

Nesta terça, o Reino Unido anunciou que disponibilizará jatos da Força Aérea para a ajudar a Arábia Saudita na proteção do território. Ainda nesta manhã, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, se reuniu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para discutir a situação no Irã.

As autoridades israelenses ouvidas pela agência de notícias Reuters não divulgaram mais detalhes das conversas, e o Pentágono se negou a comentar, assim como o porta-voz do premiê israelense.

Negociações demoradas para atingir Trump

O Irã prolongou deliberadamente as negociações com os EUA na tentativa de enfraquecer politicamente Donald Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para novenbro, afirmaram autoridades do alto escalão iraniano à Reuters.

Três autoridades e uma pessoa com acesso aos círculos de poder do país, que falaram sob condição de anonimato, disseram que Teerã estava convencida de que o presidente dos EUA estava pronto para recorrer a novos ataques na tentativa de romper o impasse na guerra, que já dura oito meses.

As negociações de paz estão praticamente estagnadas após o Irã ter proposto trégua nos ataques no fim de setembro, mas a oferta foi rejeitada por Trump.

Uma das autoridades afirmou que o Irã está se preparando para sofrer novos ataques de Israel e EUA. O analista de Teerã Saeed Leylaz afirmou que, ao prolongar as negociações, “o Irã está influenciando a eleição nos EUA sem tomar nenhuma medida ilegal”.

A guerra coincidiu com a queda do índice de aprovação de Trump ao menor nível já registrado, enquanto pesquisas indicam que americanos preocupados com os altos preços da gasolina, impacto do conflito no Oriente Médio, punirão o Partido Republicano nas eleições para o Congresso em 3 de novembro.

Trump afirmou repetidamente que espera uma queda nos preços do petróleo após as eleições, mas não apresentou um plano detalhado para encerrar a guerra e reabrir o estreito de Ormuz. A interrupção levou o preço do petróleo a ultrapassar US$ 100, por onde ficou em boa parte dos sete meses de guerra, e fez o diesel atingir preço recorde nos EUA.

Como Teerã se recusa a fazer concessões que, a seu ver, poderiam beneficiar Trump politicamente, há pouca chance de um avanço antes das eleições, disseram as autoridades.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã e a Casa Branca não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.





ICL Notícias

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