Início BRASIL Pesquisas não trazem cenário inerte: ‘força centrífuga’ atua a favor de Lula

Pesquisas não trazem cenário inerte: ‘força centrífuga’ atua a favor de Lula

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Há poucas coisas mais profissionalizadas no Brasil do que o Departamento de Engenharia constituído dentro do Partido dos Trabalhadores para organizar disputas eleitorais. Nele, há uma divisão destinada a desenhar a Arquitetura de Palanques. Juntas, as duas seções têm trabalhado arduamente nos últimos meses. O objetivo é erguer as pontes necessárias para fazer o país sair o mais rápido possível do modo campanha – com uma definição da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda no primeiro turno – para entrar de vez na transição do Projeto 2030.

Lidas isoladamente e apenas a partir dos percentuais nacionalizados (ou, no máximo, regionalizados) de intenções de voto, as mais recentes pesquisas pré-eleitorais realizadas pelos institutos de histórico mais consistente como DataFolha, Quaest, Ipespe, AtlasIntel, MDA e PoderData (Vox Populi e Ipec/Ipsos poderiam entrar na lista, mas não realizaram levantamentos quantitativos públicos e abertos em 2026) apontam para um cenário de primeiro turno no qual o presidente Lula e seus adversários todos somados navegam sempre em faixas semelhantes de 42% a 45% de intenções de voto.

Quando são extraídos os votos perdidos para abstenção, branco e nulos, que em 2026 tendem a somar entre 21% e 23% – algo entre 33 milhões e 36 milhões de cidadãs e cidadãos brasileiros que pretendem não votar nessa relevantíssima eleições presidencial – chega-se à real dimensão do que está em jogo nesses 60 dias de campanha que nos conduzirão até as urnas do 4 de outubro: a conquista de 55% a 60% dos votos ainda abertos numa bacia virtual de 10 milhões a 12 milhões de eleitoras e eleitores indecisos. Em 2022, a soma de abstinentes, brancos e nulos representou 20,95% dos eleitores no 1º turno e 20,58% no 2º turno. A calcificação da luta ideológica estéril plantada pela extrema-direita desde o golpe do impeachment sem crime de responsabilidade de 2016, quando reiteradamente se desqualificou o exercício da política, autoriza qualquer analista de conjuntura a esperar uma taxa de não-voto entre 21% e 23% este ano.

 

‘MAPA DO CAMINHO’ PARA VITÓRIA NO 1º TURNO

Foi com o olhar focado para esse universo de 10 a 12 milhões de eleitores que ainda estão indecisos, mas pretendem votar “de qualquer jeito” já no primeiro turno da eleição presidencial, que o Departamento de Engenharia e a Divisão de Arquitetura de Palanques do PT traçou o mapa do caminho a fim de conduzir o presidente Lula até a possibilidade real de vitória e reeleição já em 4 de outubro. As sendas e trilhas ainda parecem escondidas na floresta de números e índices pré-eleitorais. Contudo, quando se dá o zoom na tela de uma espécie de “Google Maps” contido nos arquivos de inteligência de campanhas da sigla, vê-se que as chances de sucesso da estratégia residem no crescimento de votos reais em algumas poucas unidades da Federação.

O quadro a seguir resume o resultado eleitoral dos votos válidos nos 26 estados e no Distrito Federal nos três últimos pleitos presidenciais. Comparando-se os resultados da apertadíssima eleição de 2014 entre Dilma Rousseff x Aécio Neves nos estados do Norte e do Centro Oeste, além de Distrito Federal, Alagoas e Maranhão, tem-se que a ex-presidente que era incumbente naquela disputa assim como Lula é agora (ao contrário de 2022), obteve votações percentuais melhores que o atual presidente no pleito passado. No cargo, publicizando por meio da campanha eleitoral gratuita as entregas sociais robustas do terceiro mandato que ficaram obscurecidas pela péssima comunicação de governo da atual gestão, é líquido e certo contabilizar que o Lula de 2026 obterá resultados eleitorais melhores nessas unidades da Federação a ponto de igualar ou superar percentualmente a Dilma de 2014 sobre os votos válidos. Isso não aparece na estratificação das pesquisas pré-eleitorais porque é pequeno o peso de cada um desses estados reunidos nessas regiões quando tratados isoladamente. Na vida real, entretanto, a soma dos votos a favor encherá o balaio do candidato incumbente e é daí que virá o que será tratado como “surpresa de última hora” ou resultado do “crescimento da campanha no agregado”. É tudo isso, mas é também resultado da estratégia traçada nas trincheiras profissionais petistas.

Além desse olhar dedicado aos percentuais de votos já indicados no quadro, há que se observar o desempenho de Dilma x Aécio em 2014 confrontando-o com o de Bolsonaro x Haddad em 2018 e o de Lula x Bolsonaro em 2022 nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Não à toa, são os quatro maiores colégios eleitorais do país. Dilma venceu Aécio em Minas e obteve um desempenho sofrível em São Paulo, mas recuperou-se do tropeço paulista na Bahia e no Rio de Janeiro. Lula estraçalhou Bolsonaro na Bahia nas últimas eleições repetindo exatamente o mesmo desempenho de Haddad quatro anos antes: pouco mais de 70% dos votos válidos contra pouco menos de 30% do “messias” que nunca encontrou vida fácil na Boa Terra.

Em 2018, Bolsonaro espicaçou Haddad no Rio impondo-lhe os mesmos 70% x 30% baianos (só que sobre um eleitorado maior). Em 2022, Lula cresceu 50% sobre a base fluminense do Fernando Haddad de 2018, obteve a quase 44% dos votos válidos lá, entretanto ficou distante dos 54% de Dilma em 2014 (mesmo sendo o Rio de Janeiro o estado onde Aécio Neves residia de fato enquanto governava Minas). Agora, as pesquisas pré-eleitorais de 2026 apontam para uma ampliação da votação de Lula no Rio já no primeiro turno, ocorrendo o mesmo em São Paulo e em Minas Gerais. Haddad candidato ao governo paulista e Patrus Ananias em Minas Gerais asseguram a ampliação da votação presidencial no petista independente dos resultados pessoais de suas próprias candidaturas locais que estão sofrendo ataques ou resistência de conjuntura muito locais.

A bonança para o PT nos ventos eleitorais que chagam de São Paulo e das montanhas mineiras até Brasília só não se reproduzem a partir da Bahia. Lá, onde os petistas lutam para emplacar o sexto mandato consecutivo de um governador filiado à legenda do presidente, o patamar de 73% a 75% de votos válidos para Lula no primeiro turno ainda não é visível a olho nu no horizonte. O eleitorado baiano passa por uma fadiga de material na relação com o PT e Antonio Carlos Magalhães Neto, representante de uma oligarquia que mandou e desmandou no estado por mais de três décadas até 2006, apresenta-se como “velha novidade” e impacta (ainda residualmente) a votação presidencial. A ligeira ampliação das intenções de voto em Lula já no primeiro turno em Pernambuco, segundo maior eleitorado nordestino, não desconta a perda de votos verificável na Bahia. Nessa contabilidade, o empate entre voto a favor e não-voto no petista no Ceará, terceiro maior colégio regional, impõe uma missão ao PT: estancar a sangria e correr atrás do regresso de eleitores baianos arrependidos. Este movimento é crucial. Caso aconteça tão rápido quanto possível e somando-o a expectativa de melhoria residual da votação de Lula nos três estados do Sul, onde o PT firmou alianças pragmáticas e eleitoralmente amplas a fim de se beneficiar dessa soma dos votos residuais a favor. Ela não aparece nas pesquisas, embora ecloda no dia da eleição para produzir os resultados destinados a surpreender quem enxerga a disputa de fora e não sabe como operam o Departamentos de Engenharia de Campanha e sua subdivisão de Arquitetura de Palanques dentro do diretório nacional do PT. É uma espécie de força centrífuga que espalha votos pelo mapa eleitoral do país a partir do núcleo de energia concentrado no incumbente.

A seguir, para consulta, os dados das três últimas eleições em votos válidos:

 

 





ICL Notícias

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