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PF apreende na churrasqueira de Ciro Nogueira manuscrito com nomes de deputados e valores

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A Polícia Federal apreendeu uma lista manuscrita intitulada “Câmara”, acompanhada por primeiros nomes de parlamentares e numerações que os investigadores apontam como prováveis valores, no interior de uma churrasqueira na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília. A apreensão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no âmbito da 5ª fase da Operação Compliance Zero, realizada na residência do parlamentar no bairro Lago Sul.

De acordo com os autos da investigação, uma funcionária doméstica do imóvel afirmou aos agentes federais que recebeu orientações do próprio senador para incinerar o conjunto de papéis deixado no local, sob a justificativa de que se tratava de material antigo ou sem serventia. O descarte por meio de fogo não se concretizou por falta de tempo hábil da trabalhadora antes do início das buscas operacionais.

No relatório enviado às autoridades judiciais, a equipe de investigação detalhou o teor da anotação apreendida:

“Na churrasqueira da residência, foram localizados documentos que, segundo a funcionária Débora, haviam sido entregues pelo investigado para serem queimados, sob a justificativa de serem ‘antigos ou sem serventia’. Tais papéis seguirão para análise contextualizada pela equipe de investigação.

Local onde a lista manuscrita foi encontrada (Foto: Reprodução)

A equipe policial encontrou um rascunho em que consta o nome ‘CAMARA’, seguido por vários nomes, possivelmente de parlamentares. A PF relaciona alguns nomes políticos conhecidos: “‘ARTHUR’ (provavelmente Arthur Lira), ‘HUGO’ (provavelmente Hugo Motta), ‘ELMAR’ (provavelmente Elmar Nascimento), ‘LUIZINHO’ (provavelmente ‘Doutor Luizinho’), ‘ADOLFO’ (provavelmente Adolfo Viana), ‘ISNALDO (provavelmente Isnaldo Bulhões), dentre outros passíveis de identificação. Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento.”

Até o presente momento no processo judicial da investigação, não há registros de desdobramentos formais ou imputações diretas formuladas pela Polícia Federal a partir da referida lista.

Nomes e numerações apontados pela Polícia Federal:

  • Arthur, 40 (associado pela PF a Arthur Lira)
  • Hugo, 10 (associado pela PF a Hugo Motta)
  • Elmar, 10 (associado pela PF a Elmar Nascimento)
  • Luizinho, 10 (associado pela PF a Doutor Luizinho)
  • Adolfo, 10 (associado pela PF a Adolfo Viana)
  • Isnaldo, 10 (associado pela PF a Isnaldo Bulhões)
  • Diego, 5
  • Altineu, 5
  • Netinho, 5
Rascunho em que consta o nome ‘CAMARA’, seguido por vários nomes (Foto: Reprodução)

Alto padrão financeiro e manifestação dos citados

Além das anotações manuscritas, o relatório dos agentes encarregados das buscas chamou a atenção para o elevado padrão socioeconômico verificado na residência de Ciro Nogueira. Os policiais registraram no termo de diligência a presença de itens de elevado valor comercial, como bebidas de alto custo e artigos de vestuário importados:

“A diligência também evidenciou sinais de elevado padrão econômico, a exemplo de adega contendo vinhos e whiskies de alto valor e diversas bolsas de grife internacional. No closet, foram identificadas várias malas de viagem vazias com etiquetas em nome de terceiros, incluindo familiares do investigado, circunstância que levantou suspeitas quanto à possível utilização para transporte de valores.”

Procuradas pelo portal G1 para responder sobre o achado policial, as assessorias e os parlamentares citados emitiram seus posicionamentos formais.

Assessoria do deputado Arthur Lira (PP-AL): “O ex-presidente da Câmara desconhece as anotações mencionadas e não pode responder por esse registro.”

Assessoria do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB): Afirmou que o atual presidente da Câmara dos Deputados não vai se manifestar sobre o tema.

Deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA) ao g1: Disse repudiar “completamente” qualquer menção ao nome dele, sobretudo em uma anotação que classificou como “apócrifa”. Ele também ressaltou que não é do partido de Ciro Nogueira e nunca “fez política” com o senador do PP.

“Estamos vivendo um momento policialesco, que está voltado à classe política e que deveria estar voltado à conduta de maus policiais. Nunca tive qualquer relação que possa implicar que meu nome esteja em uma coisa dessas.” completou.





ICL Notícias

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