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O POEMA E O ARTIGO – Wanderley Freitas

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O poema    LÁGRIMAS

De Wanderley Freitas

 

Quem me vê agora,

Levantando o copo e sorrindo,

Não consegue perceber…

As lágrimas escondidas no meu olhar.

Nem imaginar a dor que estou sentindo.

Não consegue ouvir o meu grito,

Nem sentir a escuridão,

Devorando o meu coração.

Não se preocupe,

Nada vai acontecer,

As lágrimas invisíveis

Desafogam meu peito.

Estancam o meu sangue

E apagam os dias difíceis.

São lágrimas de silêncio,

De sangue e de chumbo.

Mais 24 horas, mais 24 horas,

Para desistir de ir embora

E com fé, voltar lutar.

Quem me vê agora

Dançando ou cantarolando,

Se espantaria com o peso,

Da vida esmagando os ombros,

Do medo minando a consciência,

Do tempo enfraquecendo o corpo.

 

Calos e cicatrizes imperceptíveis,

O alerta de que o fim se aproxima.

Mas não se perturbe,

Deixe o caos amadurecer,

As lágrimas despencam

Tirando um véu da visão.

Espantam o presságio

Do pior que poderia acontecer.

São lágrimas de fogo,

De chuva, rio e mar.

Mais 24 horas, mais 24 horas,

Para desistir de ir embora

E com fé, voltar lutar.

Pelas lágrimas de amor, saudade e perdão.

Pelas lágrimas que todos poderão ver, sentir e entender,

Para estender a mão, dividir o peso e enfim, ajudar.

 

Artigo:
A DOR INVISÍVEL QUE A ESCURIDÃO ABRAÇA.
Por Wanderley Freitas

Quem olha um sorriso, um brinde, uma dança ou uma palavra alegre, muitas vezes não imagina o peso que pode estar escondido atrás daquela expressão. Há dores que não sangram por fora, mas que queimam em silêncio por dentro. São lágrimas invisíveis, difíceis de perceber, mas que devoram a esperança de quem as carrega.

É sobre essa dor que precisamos falar, a dor silenciosa, a depressão, a ansiedade e o desespero, que raramente chegam de forma explícita. Eles se escondem em sinais sutis que não percebemos. Um afastamento repentino, mudanças bruscas de comportamento, ou até uma alegria exagerada que, no fundo, pode ser uma despedida. É como se a pessoa gritasse em silêncio, esperando que alguém consiga ouvir.

 

Essas são as lágrimas que quase ninguém vê — mas que podem ser decisivas. A escuridão que abraça é a desesperança. É o vazio que se instala quando a dor parece insuportável e a vida deixa de fazer sentido. Para quem sofre, ela surge como um abraço sedutor, uma falsa solução para acabar com o sofrimento.

 

Mas a vida pede mais uma chance. Como no refrão do poema: ‘Mais 24 horas, mais 24 horas, para desistir de ir embora e com fé voltar a lutar.’

O valor do olhar atento pode ser a anestesia que salva na hora da dor profunda. Não é preciso ser especialista para ajudar, pequenos gestos podem iluminar caminhos: um olhar que percebe, uma escuta sem julgamento, um abraço sincero, uma palavra de carinho. Às vezes, o simples fato de estar presente pode salvar uma vida.

Acolher não significa ter todas as respostas, mas oferecer companhia no meio da tempestade. É mostrar que ninguém precisa enfrentar sozinho a dor invisível que carrega. Falar é um ato de amor, se você desconfia que algo não está bem, não se omita, não se cale, desabafe. O silêncio não protege — pelo contrário, ele isola. Conversar sobre o tema com sensibilidade e empatia é fundamental para quebrar muros, aliviar pesos e abrir espaço para a esperança. Falar é um ato de amor, e ouvir, um gesto de cuidado.

As lágrimas podem ser de dor, mas também podem ser de amor, de perdão, de saudade, de superação. Quando damos mais um passo, quando escolhemos ficar mais 24 horas, abrimos a chance para que a vida floresça novamente. Cada palavra amiga pode ser a diferença entre a escuridão e a luz. Cada gesto de acolhimento pode devolver a esperança a quem pensa em desistir.

Que o Setembro Amarelo nos lembre, de que todos podemos ser farol na vida de alguém. Que possamos enxergar além dos sorrisos aparentes, ouvir os silêncios profundos e estender a mão antes que a escuridão abrace sozinha quem precisa de luz. A dor invisível pode ser acolhida pelo cuidado. Que a partir de agora, sejamos presença, abraço e voz de esperança.

📌 Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil, não hesite em buscar ajuda:

  • CVV – Centro de Valorização da Vida: 188 (ligação gratuita e 24h)
  • www.cvv.org.br

 

 

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