NOTA DE PESAR
Morre Pedro Nunes, desbravador do Boxe Amazonense
O baiano Pedro Nunes, iniciado no boxe na década de 1970, na mesma escola que viria posteriormente revelar atletas como Acelino Popó Freitas, chegou ao Amazonas com o sonho de desenvolver aqui um trabalho voltado para crianças, jovens e adultos carentes, tendo no boxe a ferramenta ideal, a exemplo do que vivenciou na capital baiana. Depois de alguns anos, instalou-se no Ginásio Zezão, o maior da zona leste da capital amazonense, e com a ajuda de dezenas de empresários, que reconheciam o trabalho de Pedro, montou ringue, comprou material e trabalhou.
Pelo menos cem atletas era iniciados no boxe todos os anos. Entre esses está Maria Marreta que, na década de 2000, trouxe a primeira medalha de ouro do Amazonas em competição nacional. Além de Marreta, muitos outros atletas foram revelados. Mas, de acordo com o próprio Pedro, as maiores vitórias do Ring Boxe, nome do projeto, foram conquistadas fora dos ringues, na luta do esporte contra as mazelas sociais.
“O tempo livre deles é do boxe e, quando vão pra casa, precisam dormir para o dia seguinte. O boxe não dá espaço para as drogas”, dizia Pedro.
Apesar de pouca ajuda institucional, Pedro Nunes nunca paralisou o projeto Ring Boxe, e ano a ano manteve de pé as atividades, inclusive com calendário de competições divulgado com antecedência e cumprido à risca.
“Pedro Nunes desenvolveu, por pelo menos 20 anos, um trabalho que revelou atletas, salvou vidas e preservou famílias na zona leste de Manaus. A história do Pedro é grande, mas o vazio que deixa é maior ainda, visto que a juventude fica sem atividade, desguarnecida”, lamenta Adérito Penafort Junior, secretário adjunto de Juventude da Sejel.
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Mais informações: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer do Amazonas (Sejel): Nailson Castro (99113-2311).