Geração campeã do Nacional de 1986 celebra 40 anos de uma conquista que marcou a história do futebol amazonense.
Quarenta anos se passaram, mas o grito de campeão continua vivo.
O tempo passou, os cabelos mudaram, as vidas seguiram caminhos diferentes, mas uma história permanece intacta no coração dos torcedores do Nacional Futebol Clube.
Em 1986, o Leão da Vila Municipal escreveu uma das páginas mais importantes do futebol amazonense ao conquistar o tetracampeonato estadual, fechando uma sequência vitoriosa iniciada em 1983.
Foram quatro títulos consecutivos: 1983, 1984, 1985 e 1986.
Uma geração vencedora, formada por grandes jogadores, comissão técnica e dirigentes, que deixou seu nome marcado para sempre.

A decisão aconteceu no Estádio Vivaldo Lima, o velho Vivaldão, diante do tradicional rival Atlético Rio Negro Clube.
Era um clássico. Era uma final. Era um momento que entraria para a história.
E naquele dia apareceu o personagem principal dessa conquista:
Raulino.
O atacante marcou o gol decisivo da vitória por 1 a 0 e garantiu o tetracampeonato para o Nacional.
O gol de Raulino virou símbolo daquela geração.
Um lance que ultrapassou o tempo e transformou o jogador em um dos grandes nomes da história do futebol amazonense.
Raulino já não está mais entre nós, mas sua lembrança continua viva entre os companheiros, torcedores e todos que reconhecem sua importância para o esporte do Amazonas.
Ele é lembrado como o homem que colocou a bola no fundo da rede e escreveu seu nome na eternidade do futebol.
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Para Sérgio Duarte, o tetra representa uma lembrança que nunca será apagada.
“Cada jogador teve sua importância. Foi uma conquista de todos. O mais bonito é saber que, depois de tantos anos, continuamos amigos e orgulhosos daquela história”, afirma.
Uma amizade que nasceu dentro das quatro linhas
Para comemorar os 40 anos daquela conquista, os campeões criaram um grupo e alguns encontros já foram realizados.
Neste ano especial, cresce o esforço para reunir novamente todos aqueles que fizeram parte daquele momento.
Mais do que lembrar um título, eles celebram uma amizade construída dentro do futebol.
“Foi uma época muito especial. Nós éramos um grupo unido, todos lutando pelo mesmo objetivo. Hoje, quando nos encontramos, parece que voltamos no tempo”, relembra Camarão
O ex-jogador Marinho Macapá também guarda com emoção aquele momento.
“Foi uma conquista de muita entrega e dedicação. Vestir a camisa do Nacional naquela época era uma responsabilidade enorme. Nós sabíamos que estávamos fazendo história”, recorda.
Os campeões do tetra de 1986
Fizeram parte daquela conquista:
Arthur, Antônio Avelino, Marinho Macapá, Ricardo, Sérgio Duarte, Camarão, Oscar, Iranildo, Tojal, Alcides, Tiquinho, Doca, Murica, Lana, Cordeiro, Dr. Luiz Claudio, Elias Haddad e Zezinho Bastos.
Também participaram da história e hoje vivem em outros Estados:
Galvão, Oberdam, Luiz Florêncio, Botelho, Edson Cimento, Jorginho e Naldo.
Cada nome carrega uma lembrança.
Cada jogador ajudou a construir uma das maiores conquistas do futebol amazonense.
Quatro décadas depois, o tetra continua sendo motivo de orgulho.
Os campeões se reencontram, as histórias são recontadas e a emoção permanece.
Porque alguns títulos ficam registrados nos arquivos.
Mas outros ficam registrados no coração.
Raulino marcou.
O Nacional venceu.
E o Amazonas nunca esqueceu.
O dia em que Raulino chorou diante da própria história: a lembrança de um herói que não estava no pôster do tetra
Quinze anos depois do gol do título, o autor da conquista de 1986 reencontrou a imagem do tetra — mas descobriu que seu rosto havia sido esquecido na fotografia oficial
Existem momentos no futebol que o tempo não consegue apagar.
Alguns ficam marcados por um gol, uma conquista, uma comemoração. Outros ficam guardados por uma emoção que revela algo muito mais profundo: a relação de um homem com a própria história.
Essa é a história de Raulino.
O mesmo Raulino que, em 1986, marcou o gol que deu ao Nacional Futebol Clube o tetracampeonato amazonense.
O gol da glória.
O gol do título.
Quinze anos depois daquela tarde inesquecível no Estádio Vivaldo Lima, Raulino já não estava dentro das quatro linhas defendendo o Leão da Vila Municipal. A vida tinha seguido outro caminho.
O jogador polivalente, que tantas vezes vestiu a camisa do Nacional e escreveu seu nome no futebol amazonense, agora trabalhava como motorista na TV Amazonas.
Na rotina da emissora, Raulino normalmente atuava no período da noite, conduzindo equipes de reportagem pelas ruas de Manaus.
Mas durante um período de aproximadamente dois meses, ele passou a trabalhar no turno da tarde, justamente no horário em que acompanhava a equipe de esportes da emissora.
A equipe era formada pelo jornalista Nailson Castro e pelos cinegrafistas Ednaldo Gereba Santiago e Augusto Edson Brodinha.
Em uma dessas jornadas de trabalho, surgiu uma pauta especial:
Uma reportagem na sede do Nacional Futebol Clube.
A equipe entrou no clube, realizou entrevistas com o então presidente Evandro Farias e, após concluir o trabalho, se preparava para deixar o local e seguir para o campo.
Foi quando aconteceu uma cena que jamais seria esquecida.
Nailson Castro e Augusto Edson perceberam que Raulino havia parado diante de uma fotografia.
Era a imagem do título de 1986.
A foto do tetra.
O momento que eternizava aquela conquista.
Mas havia algo errado.
Raulino estava emocionado.
Chorando.
Diante daquela fotografia, o homem que marcou o gol do título percebeu que não estava ali.
O autor do gol que garantiu o tetracampeonato não aparecia no pôster da conquista.
Uma ausência que doía.
A explicação estava nos detalhes daquela decisão.
Raulino havia marcado o gol do título no primeiro jogo da final. Na segunda partida, cumprindo suspensão automática, ele estava no estádio, acompanhando tudo, mas não estava dentro de campo.
E como não participou da partida final, acabou ficando fora da fotografia oficial.
Mas a história tinha uma contradição difícil de aceitar:
O gol que colocou o Nacional como campeão saiu dos pés dele.
O título existiu porque Raulino marcou.
Mesmo assim, seu rosto não estava na imagem que representava aquela conquista.
E essa não era uma falha apenas do clube.
Era também uma falha da imprensa esportiva da época, que deveria ter ajudado a preservar corretamente aquele momento histórico.
Raulino não poderia ter sido esquecido.
Naquele instante, o jornalista Nailson Castro procurou o presidente Evandro Farias, mostrou a cena e explicou o motivo da emoção do jogador.
A reação do dirigente foi imediata.
Evandro Farias prometeu providenciar um novo pôster da conquista, desta vez com a presença de Raulino, para que fosse colocado no museu do clube e corrigisse aquela ausência.
Mas o tempo passou.
A promessa nunca foi realizada.
E a injustiça histórica permaneceu registrada.
Raulino, que já não está mais entre nós, deixou muito mais que um gol.
Deixou uma história de talento, dedicação e amor ao futebol amazonense.
Seu nome está ligado para sempre ao tetra do Nacional.
Porque fotografias podem falhar.
Pôsteres podem esquecer.
Mas a memória do futebol reconhece seus heróis.
E naquele tetra de 1986, antes de qualquer imagem, existe um nome que ninguém pode apagar:
Raulino.
O homem que marcou o gol do título.