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Lula ironiza Flávio Bolsonaro após recuo sobre fim da escala 6×1

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou, nesta terça-feira (13), a mudança de posicionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Após criticar a proposta, o candidato bolsonarista anunciou que votará a favor da redução da jornada no Senado.

Durante uma cerimônia no Palácio do Planalto para anunciar medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), Lula atribuiu o recuo do PL à pressão popular e às manifestações realizadas em defesa dos direitos dos trabalhadores.

Segundo o Correio Braziliense e a Gazeta do Povo, o presidente afirmou que a mobilização da sociedade levou a oposição a rever sua postura diante da proposta, que se tornou uma das principais bandeiras de sua campanha à reeleição.

“Me parece que, depois da pressão da sociedade, me parece que depois de todas as manifestações na rua deste Brasil, o partido do PL resolveu votar o fim da escala 6×1. […] Eu, de vez em quando, fico pensando: se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, declarou Lula.

Flávio muda de posição às vésperas da votação

A declaração de Lula ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro anunciou apoio à proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de expediente para apenas um de descanso.

O senador comunicou a decisão após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Até então, Flávio vinha criticando a iniciativa, que chegou a classificar como oportunista e eleitoreira.

Ao justificar a mudança, o candidato afirmou que passou a considerar a posição da maioria dos trabalhadores brasileiros.

“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor, sempre. Eu queria que houvesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho”, afirmou.

Apesar do apoio anunciado, Flávio manteve críticas ao texto em discussão no Congresso. O senador defendeu maior liberdade para que trabalhadores e empregadores negociem os horários de expediente e questionou como a proposta seria aplicada a diferentes modalidades de trabalho, como o home office.

O posicionamento também contrasta com o de integrantes de sua própria campanha. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura bolsonarista, criticou a discussão da PEC durante o período eleitoral e atuou para tentar adiar sua análise.

PEC prevê redução da jornada sem corte salarial

A proposta em discussão no Senado prevê a substituição da escala 6×1 por um modelo com cinco dias de trabalho e dois de descanso, além da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.

A votação em primeiro turno está prevista para esta quarta-feira (14). Para ser aprovada no Senado, a PEC precisa receber o apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação.

O fim da escala 6×1 ganhou destaque na disputa presidencial após manifestações populares em diferentes cidades brasileiras. No último fim de semana, atos realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro também defenderam a redução da jornada de trabalho.

A proposta se tornou um dos principais temas da campanha de Lula, que busca a reeleição no segundo turno marcado para 25 de outubro. O apoio anunciado por Flávio Bolsonaro amplia as possibilidades de aprovação da medida, embora ainda existam divergências sobre o texto e o calendário de votação.





ICL Notícias

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