Por Nicola Pamplona e Idiana Tomazelli
(Folhapress) – O governo Lula (PT) vai renovar por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel vendido no país, que venceu nesta segunda-feira (26). A extensão do prazo do benefício, criado para conter efeitos da guerra no Irã, será anunciada nesta terça (27).
A decisão ocorre num momento de petróleo pressionado por conflitos entre rebeldes houthis e forças da Arábia Saudita, que ampliam a incerteza sobre a situação no Oriente Médio. Nesta segunda, o barril do tipo Brent foi negociado em torno de US$ 110 (cerca de R$ 600).
Subsídio
A saída das subvenções será um desafio para o presidente reeleito neste domingo (26), já que o mercado espera que os preços, principalmente do diesel, permaneçam altos ao longo de 2027. Atualmente, o governo garante R$ 2,12 por litro de diesel nacional e R$ 1,40 adicionais por litro de diesel importado.
O valor do subsídio cobre hoje pouco da metade do custo de importação do produto, segundo estimativa da Stone X -na abertura do mercado de sexta (23), esse custo era de R$ 6,76 por litro. Não cobre a defasagem nos preços praticados pela Petrobras, que chegou a R$ 3,53 por litro.
A renovação do subsídio resolve temporariamente o problema. No dia 6 de novembro, vence a subvenção adicional de R$ 1,40 por litro, que também pode ser renovada. O governo vem mantendo subsídios desde abril, a um custo que superava R$ 32 bilhões no fim de agosto.
Os benefícios foram criados com perspectiva de que fossem temporários, mas a falta de acordo no Oriente Médio e o recrudescimento da guerra entre Rússia e Ucrânia dificultam a retirada dos descontos.
Para analistas do banco Goldman Sachs, os preços internacionais do diesel permanecerão pressionados em 2027, mesmo com a retomada dos fluxos de petróleo, como reflexo de danos em refinarias e queda nos estoques globais.
“Os estoques [de derivados] seguem baixos nos principais polos, o que deixa pouca margem para absorver novas interrupções no fornecimento”, escreveram os analistas do banco em relatório divulgado no domingo (25).
A oferta no início de 2027 deve ser afetada também por manutenção de refinarias adiada neste ano em especial na Índia e na Coreia do Sul, grandes exportadoras de diesel. O relatório reforça que a alta não é passageira, o que enfraquece expectativas de que as subvenções sejam temporárias.
Abrir mão dos benefícios, dizem especialistas, resultará em aumento de preços nas bombas e impacto inflacionário. Desde o início da guerra, mesmo com subsídios, o diesel S-10 subiu 20% nos postos brasileiros, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).
