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Fazenda investiga Esportes da Sorte e oficia SBT por propaganda de bets na Copa

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Por João Gabriel e Raphael Di Cunto 

(Folhapres) – O Ministério da Fazenda abriu uma investigação contra a Esportes da Sorte por possível propaganda irregular exibida no SBT durante a Copa do Mundo, campeonato que intensificou a ofensiva das bets nas transmissões de futebol no Brasil. Segundo informações obtidas pela reportagem, o caso em apuração ocorreu antes da partida entre Inglaterra e Croácia, ainda na fase de grupos.

A pasta avalia se o anúncio tentou influenciar o apostador a se arriscar, inflacionando chances de lucro e estimulando o vício, sem dar clareza sobre as reais condições do jogo nem apresentar os alertas necessários, ou seja, desrespeitando regras de prática responsável exigidas para o setor.

O SBT foi oficiado a prestar esclarecimentos. A Fazenda quer saber se houve alinhamento entre a bet e a emissora na veiculação da propaganda e se foram tomadas medidas para corrigir a situação.

A Esportes da Sorte foi contatada na noite de terça-feira (30) por WhatsApp por meio de sua assessoria de imprensa, mas não enviou um posicionamento até a publicação desta reportagem. O SBT disse que não iria se manifestar.

A Esportes da Sorte é alvo de investigação da Polícia Civil de Pernambuco por supostamente integrar uma organização criminosa para lavagem de dinheiro, ligada ao jogo do bicho, que já movimentou R$ 3 bilhões.

O CEO da empresa, Darwin Henrique da Silva Filho, e a influenciadora Deolane Bezerra já foram detidos em operações sobre o caso, sob suspeita de integrarem o grupo. Eles negam as suspeitas.

A propaganda alvo da investigação aconteceu antes da partida, que acabou com vitória inglesa por 4 a 2.

Nela, as pessoas que participavam da transmissão recomendaram uma aposta específica para que os ingleses marcassem gols, enaltecendo que ela oferecia um bom retorno e exaltando que se tratava de uma boa dica para o apostador.

Também estimulavam o espectador a realizar a jogada naquele momento, antes que o QR Code que aparecia na tela sumisse. Enalteciam ainda os ingleses como candidatos ao título e o atacante Harry Kane, como craque.

Esse comercial alertou a Fazenda porque direciona o espectador em uma direção específica, usa da credibilidade da transmissão para convencê-lo a jogar e ainda pressiona para que a aposta seja feita rapidamente, o que vai contra as regras de responsabilidade, segundo as quais os anúncios devem ter alertas claros sobre os riscos de vício no jogo e trazer informações objetivas, sem influenciar quem assiste.

Agora, a Esportes da Sorte deve apresentar sua defesa no processo, que pode levar a uma punição ou então pode ser arquivado, a depender da análise da pasta.

O caso é semelhante ao de Bet365, Betnacional e KTO, investigadas pelas propagandas veiculadas nas transmissões da Cazé TV.

A Copa do Mundo de 2026 é a primeira desde que as bets foram legalizadas no Brasil e passaram a precisar cumprir obrigações para combate à ludopatia e criar políticas para o jogo responsável, como proibição de oferta para menores de idade.

As bets foram alvo de campanhas e críticas nas redes sociais pelas propagandas agressivas veiculadas durante as partidas do torneio, inclusive com apostas sendo anunciadas pelos próprios narradores e comentaristas durante as partidas.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia medidas para restringir os anúncios e evitar que este tipo de situação se repita.

O objetivo é impedir que estimulem o senso de urgência ao apostar, como propagandas no meio de partidas dizendo que o apostador deve correr para não perder uma oportunidade imperdível de lucro.

Também está em avaliação mudar a frase “jogue com responsabilidade”, para endurecer a mensagem.

A visão do Executivo é que o problema não é fazer propaganda das “odds” (termo usado para designar qual o retorno que o jogador pode ter caso acerte o resultado), mas que ela deve ser informativa, e não pode influenciar o apostador a tomar a decisão de jogar.

As multas para as bets que descumprem regras de propaganda pode chegar, no máximo, a R$ 2 bilhões, o que não deve acontecer nos casos envolvendo a Copa do Mundo, uma vez que essa penalidade se aplica a situações graves ou com reincidência.

O Ministério da Fazenda chegou a barrar a operação da Esportes da Sorte no Brasil, no início da regulamentação, mas a bet conseguiu autorização para atuar nacionalmente por meio de uma decisão da Justiça.





ICL Notícias

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