Por Cleber Lourenço
O ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Jr. rebateu Flávio Bolsonaro após o candidato à Presidência afirmar, durante sabatina no Jornal Nacional, que o brigadeiro estaria pedindo votos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Baptista Jr. classificou a acusação como uma “leviandade” e afirmou não saber de onde Flávio tirou a informação.
A declaração de Flávio ocorreu quando ele foi confrontado com o depoimento de Baptista Jr. sobre as articulações golpistas ocorridas após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. O senador tentou desqualificar o relato do ex-comandante ao afirmar que ele seria “completamente parcial” por supostamente fazer campanha para Lula.
Baptista Jr. respondeu neste sábado (29) por meio das redes sociais. Segundo ele, a acusação não apenas carece de fundamento como teria sido usada por Flávio para evitar o mérito da pergunta feita durante a sabatina.
“A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula […] é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, escreveu.
O brigadeiro comandou a Aeronáutica entre abril de 2021 e janeiro de 2023 e se tornou uma das principais testemunhas militares das articulações ocorridas no Palácio do Planalto após a derrota de Bolsonaro. Seu depoimento ajudou a reconstruir as discussões mantidas pela cúpula do governo sobre medidas que poderiam impedir a posse de Lula.
Na resposta a Flávio, Baptista Jr. afirmou não saber se a acusação de que estaria fazendo campanha para Lula teria surgido de seu depoimento na ação penal sobre a tentativa de golpe ou de seu livro, Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista.
O ex-comandante aproveitou o fato de a obra ainda não ter chegado às livrarias para ironizar Flávio. Caso o candidato tenha feito uma “viagem” sobre o conteúdo do livro, escreveu Baptista Jr., deveria esperar mais dez dias para “ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”.
A publicação também trouxe um recado a Rogério Marinho, coordenador-geral da campanha de Flávio. Baptista Jr. reagiu à declaração do senador de que “a tal direita consentida vai ter que nos engolir”.
O brigadeiro chamou Marinho de “outrora ponderado” e recomendou que ele não incorporasse o “espírito do nosso querido Zagallo”, em referência à célebre frase “vocês vão ter que me engolir”, eternizada pelo ex-técnico da seleção brasileira.
Baptista Jr. encerrou o recado com uma referência a Fernando Collor. “Lembre-se do chamamento de Fernando Collor aos ‘Caras-Pintadas’: menos”, escreveu.
A referência é à reação popular ocorrida em 1992, quando Collor convocou a população a vestir verde e amarelo em apoio ao governo. O chamado acabou produzindo o efeito contrário: manifestantes foram às ruas de preto em protestos que ganharam força durante a crise política que culminaria no impeachment do então presidente.
