Por Cleber Lourenço
O governo não descarta a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste ano. A decisão, no entanto, depende exclusivamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em conversas reservadas com aliados, Messias tem adotado cautela ao tratar do tema e evita qualquer sinal de definição. Segundo pessoas próximas, ele costuma dizer que “tudo pode acontecer”, ao ser questionado sobre a possibilidade de chegar à Corte. Em outro momento, também afirma estar em “compasso de espera” e reforça que qualquer articulação sobre o assunto está concentrada no Palácio do Planalto.
“Tudo pode acontecer”, tem repetido Messias a interlocutores, ao ser questionado sobre a sucessão no STF. Ele também ressalta, segundo aliados, que “está em compasso de espera” e que a decisão final cabe ao presidente Lula.
A possível indicação voltou a ganhar força após a reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Auxiliares do presidente afirmam que o senador teria sinalizado disposição para apoiar o nome de Messias após meses de distanciamento político.
A reaproximação ocorreu após um encontro recente entre os dois na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Apesar disso, não há decisão tomada nem acordo fechado. A avaliação no governo é de que o cenário segue em aberto e depende de novas conversas políticas.
Senado é ponto central da articulação
Qualquer indicado ao STF precisa ser aprovado pelo Senado, após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação no plenário, onde são necessários ao menos 41 votos.
A resistência de Alcolumbre ao nome de Messias vinha sendo um dos principais entraves à sua indicação. O presidente do Senado defendia outras opções e chegou a se afastar do Planalto em meio às divergências.
A retomada do diálogo melhora o ambiente político, mas ainda não garante apoio consolidado nem assegura que o nome de Messias avance sem obstáculos na Casa.
