As investigações sobre o caso Master/BRB vão além de contratos e documentos financeiros. Segundo o site Fatos On Line, a Polícia Federal reuniu milhares de mensagens, fotos, vídeos e arquivos extraídos dos celulares apreendidos, revelando bastidores das conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Thiago Miranda, que até maio de 2026 era sócio do Grupo Leo Dias de Comunicação.
O material, incorporado aos autos, mostra que a jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo, era acompanhada de perto pelos investigados. Reportagens eram monitoradas em tempo real, questionamentos enviados por sua equipe eram compartilhados e havia discussões sobre estratégias para reagir à cobertura, considerada prejudicial aos interesses de Vorcaro.
Em uma das conversas, o banqueiro demonstra preocupação com a atuação da jornalista: “Agora tenho que frear a Malu Gaspar”. Logo depois, reforça: “É quem vai dar trabalho próximos dois dias.”
Thiago Miranda responde: “O namorado dela é amigo de uma amiga minha.” Em seguida, acrescenta: “Vamos ver o que ela vai te questionar.”
Após a publicação de uma reportagem, Vorcaro escreve: “Vamos ter que tentar pegar algo dessa mulher no pessoal.” Miranda responde: “Exatamente. Ela joga baixo. Vou revirar a vida dela.” Depois, completa: “Alguma coisa vamos achar.”
As mensagens mostram ainda uma tentativa de levantar informações sobre a vida da jornalista. “Meu time está atrás. Precisamos achar algo.” Em seguida, afirma: “Cheguei a processos dela de 1992, por exemplo.” Ao fim da busca, admite: “Nem multa na CNH dela encontrei.”
Em outro momento, Miranda reconhece: “realmente meu amigo, não tem absolutamente NADA.”
Os diálogos indicam que o monitoramento prosseguiu e incluem um documento apreendido pela PF identificado como “Carta Proposta Malu Gaspar”, sugerindo uma tentativa de aproximação profissional.
Para tentar impedir a jornalista de publicar matérias contra si, Vorcaro tentou contratá-la. “Não tinha pensado nisso. Pode ser uma saída. Mas precisa ser para ontem”, disse Miranda. Vorcaro sugeriu uma “proposta milionária”, mas Miranda afirmou que “o problema é que ela não liga para dinheiro”
A proposta apresentada pelo empresário à réporter previa “luvas” de R$ 1,5 milhão e um salário mensal de R$ 120 mil, para que ela trabalhasse em site de Miranda e apresentasse de segunda a sexta um programa com 1h de duração sobre política e economia na Leo Dias TV.
Depois de imaginar que a jornalista aceitaria aproposta, os dois investigados perceberam que a tentativa não teria sucesso. “Malu e Lauro vieram com mais fúria após abordagem. São muito filhas da puta”, escreveu a Miranda, se referindo também ao colunista Lauro Jardim.
“Não sei como ficaram as tratativas, mas acho melhor abortar”, decidiu Vorcaro.
Pouco depois, uma mensagem atribuída à equipe da jornalista solicita posicionamento sobre uma reportagem envolvendo o Banco Master. Ao receber o pedido, Vorcaro reage: “Olha que filha da puta.” Miranda responde: “Que FDP. Ela não para.” E questiona: “Até onde ela quer ir?”
A sequência termina com uma frase atribuída a Vorcaro: “Quer sangrar enquanto houver sangue.”
Prints publicados pelo site Fatos On Line, atribuídos a conversas entre Daniel Vorcaro e Thiago Miranda:
