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Unidade que participou de busca a Vasques em SC é chefiada por amigo dele

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A busca ao ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques em Santa Catarina foi conduzida, inicialmente, por duas unidades da polícia penal estadual, uma delas chefiada por Rafael Zaba Caetano, amigo de Vasques nas redes sociais.

O Núcleo de Busca e Recaptura (Recap) acompanhou a diligência junto à Unidade de Monitoramento Eletrônico (UME). Segundo a assessoria do órgão, o UME foi responsável pelo apoio à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seape) do Distrito Federal, que fiscaliza a tornozeleira eletrônica.

Zaba, como é conhecido no meio, é responsável pelo Recap, órgão criado na estrutura da Polícia Penal de Santa Catarina em 2024. Segundo a Agência de Notícias de Santa Catarina, em 2025 a unidade ganhou “sede própria, novas viaturas, armamento adequado, tecnologia embarcada e uma agenda contínua de capacitações voltadas à atuação de alto risco”.

A propaganda institucional também aponta que o Recap “realizou 160 prisões em 2025, incluindo foragidos de alta periculosidade” e que esta é “uma das frentes mais eficientes no combate à evasão penal em Santa Catarina”.

Ainda, os materiais de divulgação do grupo informam que eles realizam operações articuladas com diversos órgãos, dentre eles a Polícia Rodoviária Federal, onde Vasques fez carreira e chegou à direção geral no governo Jair Bolsonaro. Agora detido preventivamente, ele foi considerado culpado pela organização das blitze no dia do segundo turno das eleições de 2022, que teriam como justificativa dificultar o voto de eleitores de determinadas regiões.

De acordo com o despacho em que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes ordena a prisão preventiva de Vasques, a polícia penal foi a primeira a chegar na casa do ex-diretor da PRF recém condenado na ação penal do golpe. A assessoria diz que respondeu a um pedido da Seape do DF, que confirmou a responsabilidade pelo monitoramento eletrônico.

O despacho diz que a tornozeleira eletrônica utilizada por Vasques parou de emitir o sinal do GPS por volta das 3h de quinta, 25 de dezembro. Dez horas depois também não havia mais sinal de GRPS. Só às 23h a Superintendência da Polícia Federal foi acionada para verificar a situação. Chegando ao endereço de Silvinei, a PF foi informada de que a Polícia Penal havia estado no local e permanecido por 16 minutos no prédio.

Recap SC - Divulgação
Recap SC – Divulgação

Demora

A Polícia Penal de Santa Catarina afirma que recebeu o chamado da Seape às 18h30 do dia 25, portanto três horas e meia após o sinal GRPS do equipamento ser interrompido. A equipe demorou mais de uma hora e meia para chegar ao endereço de Silvinei. Depois disso, segundo o órgão “a comunicação foi realizada de forma imediata à secretaria responsável”. Também foi feito um “relatório de caráter sigiloso”.

Segundo a polícia penal, a operação seguiu os trâmites previstos e “o tempo necessário para o deslocamento da equipe até o local”. Se o efetivo que cumpriu a diligência partiu do bairro Estreito, em Florianópolis, uma das sedes da Polícia Penal, menos de dez minutos seriam suficientes para chegar até o endereço de Silvinei.

Clube de Tiro

Zaba e Silvinei, além de se seguirem mutuamente no Instagram, também mantêm o mesmo hábito de frequentar clubes de tiro. Zaba é sócio de um dos CNPJs do clube Top Gun, beneficiado por uma emenda pix da deputada federal Júlia Zanatta que está sob suspeita de direcionamento em auditoria coordenada pelo Tribunal de Contas da União.

Em 2023, ele assinou convênio com o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Santa Catarina como presidente do clube. A esposa dele é parte dos outros dois CNPJs relacionados à empresa.

O Clube Top Gun recebeu emendas de Júlia Zanatta a partir de um contrato com a Prefeitura Municipal de São José, onde Silvinei Vasques atuou como Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José. O contrato é para a instrução de tiros na Guarda Municipal, portanto não envolveu diretamente a pasta de Vasques.

Segundo a assessoria de imprensa da polícia penal, “em relação às interações em redes sociais, é importante esclarecer que ambos são figuras públicas e residem em São José, o que torna natural a eventual troca de seguidores em plataformas digitais”.

O órgão também informa que “não há qualquer irregularidade ou fato que permita inferir relação além do ambiente digital, tampouco vínculo que comprometa a atuação institucional de qualquer uma das partes”.

Questionada se o diretor do Recap participou diretamente da diligência, a assessoria não respondeu. Segundo folha de pagamento do portal da transparência do mês de novembro, o policial penal recebeu a parcela de um terço de férias, mas não foi possível confirmar o período de usufruto.

A defesa de Vasques está atuando junto ao STF para solicitar que a pena dele seja cumprida em São José ou em Santa Catarina, argumentando vínculos familiares e sociais no Estado.





ICL Notícias

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