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A espera de um século, enfim, ganhou um capítulo decisivo. A empresa portuguesa Mota-Engil venceu o leilão realizado na B3 nesta sexta-feira (5) e será responsável por construir e operar o túnel que ligará Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo. O projeto, avaliado em cerca de R$ 6,8 bilhões, será executado em parceria entre os governos federal e estadual.
A disputa contou com a presença de autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin, o governador Tarcísio de Freitas e os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Márcio França (Empreendedorismo).
A Mota-Engil ofereceu 0,5% de desconto no valor da contraprestação anual que receberá ao longo dos 30 anos de concessão. O teto previsto no edital era de R$ 438,3 milhões ao ano. A espanhola Acciona, outra concorrente, não apresentou desconto.
A grandiosidade da obra
Essa será a primeira ligação submersa do Brasil e também a maior da América Latina. A obra deve reduzir a dependência das balsas e aliviar o tráfego da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, além de ampliar a capacidade de escoamento do Porto de Santos.
- Extensão total: 1,5 km, sendo 870 metros de túnel submerso.
- Estrutura: três faixas por sentido (uma adaptável ao VLT), ciclovia e passagem de pedestres.
- Profundidade: pelo menos 21 metros abaixo do canal do Porto de Santos.
- Tempo estimado de travessia: menos de 5 minutos.
Cronograma previsto
- Início das obras: 2026.
- Primeiros acessos e melhorias de mobilidade: 2030.
- Operação plena: 2038.
O projeto de ligação entre Santos e Guarujá surgiu ainda na década de 1920. Ao longo do tempo, governadores como José Serra, Geraldo Alckmin, Márcio França e João Doria prometeram tirar a ideia do papel. A escolha pelo túnel, e não por uma ponte, se deve à necessidade de garantir a passagem de navios de grande porte e à maior resistência da estrutura contra condições climáticas adversas.
A obra começará em docas secas, com seis módulos de concreto pré-moldados. Após finalizados, eles serão transportados, submersos e encaixados no fundo do canal, sem interromper o tráfego de embarcações. O projeto inclui ainda acessos urbanos, vias auxiliares e edifícios administrativos.
Pedágio e tarifas
O túnel terá cobrança de pedágio pelo sistema free flow (sem cancelas). Pedestres e ciclistas serão isentos, enquanto veículos pagarão valores que, em 2024, foram projetados em R$ 6,15 por travessia para carros de passeio. O valor final, no entanto, será atualizado até a inauguração, considerando a inflação.
O investimento público máximo será de R$ 5,14 bilhões, divididos igualmente entre o governo federal e o estado de São Paulo. O restante será custeado pela concessionária vencedora.
