Depois de fazer ameaças e colocar o mundo em um alerta absoluto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira em Davos que não irá mais impor tarifas sobre os europeus por conta da recusa do bloco de ceder a Groenlândia. O motivo seria um acordo que ele teria negociado com a OTAN, ainda que os detalhes não tenham sido revelados.
Nas redes sociais, ele afirmou que:
Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, definimos a estrutura de um futuro acordo com relação à Groenlândia e, na verdade, a toda a região do Ártico.
Essa solução, se concretizada, será excelente para os Estados Unidos da América e para todas as nações da OTAN.
Com base nesse entendimento, não imporei as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro.
Como resposta, a Europa preparava uma série de medidas contra empresas e produtos dos EUA. Se implementada, a ação poderia atingir mais de US$ 100 bilhões em exportações americanas. Um acordo comercial entre os dois parceiros também foi suspenso no Parlamento Europeu.
Trump ainda indicou que “discussões adicionais estão sendo realizadas a respeito da Cúpula Dourada, no que diz respeito à Groenlândia”. Trata-se de um sistema antimíssil que poderia estar no território em disputa.
“Mais informações serão disponibilizadas à medida que as discussões avançarem. O Vice-Presidente JD Vance, o Secretário de Estado Marco Rubio, o Enviado Especial Steve Witkoff e outros, conforme necessário, serão responsáveis pelas negociações e se reportarão diretamente a mim”, completou.
Horas antes, durante um discurso no Fórum Econômico Mundial, Trump insistiu que quer comprar a Groenlândia. Mas afirmou que não iria mais realizar qualquer operação militar. Foi a primeira vez que o americano falou abertamente sobre não optar pelo uso da força.
Para ele, a Groenlândia é parte do território na América do Norte e insistiu que os EUA seriam os únicos que poderiam defender o local.
“Estou propondo o início de uma negociação imediata para comprar o território”, disse.
“Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, o que nos tornaria, francamente, imparáveis. Mas não farei isso”, afirmou.
“As pessoas pensaram que eu usaria a força. Não preciso usar a força. Não quero usar a força. Não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, disse ele, enquanto repassava por uma descrição detalhada da força militar do país.
“Só queremos essa terra onde vamos construir o maior escudo de defesa”, afirmou, indicando que o sistema ainda protegeria o Canadá.
Trump acusou a Europa de ingratidão, questionou se a OTAN viria na defesa dos EUA e garantiu que o objetivo pela compra da Groenlândia não são os minérios, e sim a defesa do país. “É um pedido pequeno”, insistiu. “Queremos um pedaço de gelo e eles não querem nos dar”, disse.
Questionado sobre como seria a negociação, Trump evitou dar uma resposta clara. “Está custando milhões para Dinamarca manter (a Groenlândia). É um país pequeno. E é muito importante que usemos o local para segurança nacional e internacional. Vamos ver o que ocorre”, disse.
Para ele, a OTAN trata os EUA “de forma muito injusta”. “Nunca pedimos nada”, completou.
Ele então fez um alerta aos europeus:
“Você pode dizer sim e ficaremos muito agradecidos, ou pode dizer não e nós nos lembraremos”
