As bolsas globais iniciam esta quinta-feira (19) em clima de aversão ao risco. Os índices futuros de Nova York operam em queda, ampliando as perdas da sessão anterior, à medida que a escalada do conflito no Oriente Médio impulsiona o petróleo e reacende preocupações com a inflação global.
Na véspera, o humor dos investidores já havia piorado após a divulgação de um índice de preços ao produtor (PPI) acima das expectativas nos Estados Unidos, além de projeções mais pressionadas para a inflação por parte do Federal Reserve (Fed). O cenário reduziu ainda mais as apostas em cortes de juros no curto prazo.
A principal fonte de preocupação segue sendo o mercado de energia. O petróleo Brent voltou a subir com força, superando os US$ 113 por barril, em meio a ataques envolvendo Irã e Israel a infraestruturas energéticas estratégicas — incluindo danos relevantes a uma importante planta de gás natural no Catar.
O avanço da commodity aumenta o temor de um choque inflacionário mais duradouro, com impacto direto sobre combustíveis, transporte e cadeias produtivas ao redor do mundo.
Brasil
No mercado local, o Ibovespa chegou a ensaiar uma alta consistente na quarta-feira, mas perdeu fôlego após a coletiva do presidente do Fed. O índice encerrou o dia em queda de 0,43%, aos 179.639,91 pontos, com recuo de 769,82 pontos.
Depois do fechamento do mercado, o Banco Central confirmou as expectativas mais recentes e iniciou o ciclo de afrouxamento monetário com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. A taxa passou para 14,75% ao ano, marcando a primeira redução desde maio de 2024.
O movimento veio em linha com a leitura mais cautelosa do mercado, que revisou projeções diante da guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o petróleo e a inflação global — antes disso, havia apostas em um corte maior, de 0,50 ponto.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, além do cenário externo, investidores monitoram novos indicadores econômicos, como pedidos de auxílio-desemprego e o índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia.
O Federal Reserve optou por manter os juros inalterados, decisão amplamente esperada. O mercado agora busca pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária, especialmente diante do cenário de incerteza internacional.
Os futuros dos principais índices operam em baixa:
Dow Jones Futuro: -0,28%
S&P 500 Futuro: -0,33%
Nasdaq Futuro: -0,43%
Ásia
As bolsas da Ásia fecharam em queda generalizada, refletindo o mau humor de Wall Street e as preocupações com o impacto do conflito no setor energético global. O movimento também foi influenciado pela decisão do Banco do Japão, que manteve sua taxa de juros estável.
Shanghai SE (China), -1,39%
Nikkei (Japão): -3,38%
Hang Seng Index (Hong Kong): -2,02%
Nifty 50 (Índia): -2,44%
ASX 200 (Austrália): -1,65%
Europa
Na Europa, os mercados também recuam, pressionados tanto pelo risco geopolítico quanto pela expectativa de decisões importantes de política monetária ao longo do dia, incluindo reuniões de bancos centrais como o BCE e o Banco da Inglaterra.
STOXX 600: -1,25%
DAX (Alemanha): -1,53%
FTSE 100 (Reino Unido): -1,18%
CAC 40 (França): -1,16%
FTSE MIB (Itália): -1,28%
Petróleo
O petróleo segue no centro das atenções, acumulando ganhos diante da intensificação dos ataques no Oriente Médio e do risco de interrupções no fornecimento global.
Petróleo WTI: +0,51%, a US$ 96,81
Petróleo Brent: +5,60%, a US$ 113,39
Agenda
A agenda econômica desta quinta-feira (19) no Brasil traz como destaque a segunda prévia do IGP-M de março, indicador amplamente utilizado para reajustes de contratos. Após a chamada “Super Quarta”, o foco dos investidores passa a ser a digestão das decisões de política monetária e seus impactos nos mercados.
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Fernando Haddad fazem um pronunciamento à imprensa às 19h, em São Bernardo do Campo.
Nos EUA, a agenda inclui dados relevantes do mercado de trabalho e da atividade econômica, como os pedidos semanais de auxílio-desemprego e o índice de atividade do Fed da Filadélfia, que podem influenciar as expectativas sobre a economia americana.
