Encontro reúne lideranças do Brasil, Peru e Colômbia para discutir desafios e estratégias de proteção social na tríplice fronteira
Com o tema “Fortalecendo Redes, Ampliando Vozes e Promovendo Direitos”, Tabatinga, no interior do Amazonas, distante 1.115 quilômetros de Manaus, está sediando desde ontem (4) o Seminário Trinacional sobre Direitos Humanos, HIV e Saúde Mental para Pessoas LGBTQIA+. O evento, que termina nesta sexta-feira (5), reúne lideranças do Brasil, Peru e Colômbia para debater desafios e estratégias de proteção social na região da fronteira.
A iniciativa é uma realização da Aliança Nacional LGBTI+, com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Sejusc). As atividades estão sendo realizadas no Auditório do Sebrae, na Avenida da Amizade, e contam com a participação de lideranças comunitárias, profissionais da saúde, ativistas, representantes de organizações governamentais e não governamentais, gestores públicos e pessoas vivendo com HIV/AIDS.

Para o coordenador regional da Aliança Nacional LGBTI no Amazonas, Francisco Furtado, o seminário reafirma a necessidade de articulações que considerem as especificidades da Amazônia.
“A realidade da Amazônia exige respostas integradas. Aqui, a fronteira não separa, ela soma desafios. Por isso, fortalecer redes de apoio e ampliar vozes é uma tarefa urgente para garantir que ninguém fique para trás”, afirmou Furtado.
Primeiro dia: acolhimento e cartografia social
A abertura ocorreu ontem (4), com um momento de acolhimento conduzido pela psicóloga Rayane Curico e pelo psicólogo Damístenis Damasceno Araújo de Menezes, que contextualizaram os desafios regionais e os impactos sociais e emocionais vivenciados pela população LGBTQIA+.
Na parte da tarde, das 14h às 17h, foi realizada a Oficina de Cartografia Social na Amazônia, conduzida pelo Professor Doutor Reginaldo Silva e pelo Professor Mestre Tadeu Macedo, destacando metodologias participativas para fortalecimento das redes de cuidado.
Segundo Furtado, a abordagem territorial é indispensável. “A cartografia social nos permite enxergar territórios que, muitas vezes, são invisibilizados. Quando mapeamos vulnerabilidades e potências, ampliamos nossa capacidade de intervenção.”
Segundo dia: saúde mental, HIV e políticas públicas
As atividades desta sexta-feira (5) iniciaram com um almoço coletivo, seguido da Roda de Conversa sobre Saúde Mental, HIV e Novas Tecnologias da Informação, novamente facilitada por Rayane Curico e Damístenis Damasceno. O debate aborda estigmas, novas estratégias de cuidado e a importância da interseccionalidade nas políticas de prevenção.
No fim da tarde, ocorre o painel “Diálogos Fraternos sobre a Política Nacional para Pessoas LGBTQIA+: Por que resistir, persistir e lutar?”, apresentado por Symmy Larrat, secretária nacional de Políticas para Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O momento reforça o papel das políticas públicas federais na garantia de direitos e no enfrentamento às violências.
Para Furtado, a presença de lideranças nacionais reforça o peso político do seminário. “A luta LGBTQIA+ na Amazônia precisa ser visibilizada. Eventos como este mostram que estamos construindo políticas a partir do território, ouvindo as pessoas e enfrentando desigualdades históricas.”
Encerramento
O evento será concluído no fim da tarde de hoje, com a síntese dos debates e encaminhamentos. O seminário reforça a importância da integração trinacional e da construção de estratégias conjuntas para a promoção da dignidade, da saúde integral e dos direitos humanos da população LGBTQIA+ na Amazônia.
Fotos: Divulgação.