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O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para um dos julgamentos mais aguardados da história recente do país. A partir da próxima terça-feira (2), a Corte analisará o caso que coloca no banco dos réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus ex-auxiliares, acusados de articular uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. A repercussão é tamanha que 501 jornalistas de veículos nacionais e internacionais já estão credenciados para cobrir as sessões.
A expectativa não se restringe à imprensa. Segundo o STF, 3.357 pessoas se inscreveram para tentar acompanhar presencialmente algum dos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro do julgamento. Como a demanda supera a capacidade do espaço, o tribunal reservou 150 assentos para o público na sala da Segunda Turma, enquanto o julgamento em si ocorrerá no plenário da Primeira Turma, onde 80 lugares serão destinados aos jornalistas por ordem de chegada.
A composição da Primeira Turma, responsável pelo caso, inclui os ministros Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux. Na fase de interrogatório, em junho, os acusados negaram participação em qualquer trama golpista e afirmaram que a denúncia da Procuradoria-Geral da República é infundada.

O tribunal reservou 150 assentos para o público na sala da Segunda Turma, pois não aguentaria a demanda (Foto: Gustavo Moreno / STF)
Segurança do STF
Além do interesse político e público, a questão da segurança ganhou protagonismo. O STF anunciou medidas reforçadas a partir desta segunda-feira (1º), incluindo fechamento da Praça dos Três Poderes pela Polícia Militar do Distrito Federal. No primeiro dia de julgamento, haverá presença de tropas de choque, Bope e equipes do Comando de Operações Táticas, com varredura feita por cães farejadores. Policiais judiciais de Brasília e de outros estados também atuarão no esquema.
Bolsonaro, em prisão domiciliar por decisão de Alexandre de Moraes sob acusação de tentar coagir ministros e instituições, ainda não confirmou se comparecerá às sessões. No campo político, o julgamento já gera reflexos internacionais.
O presidente Lula acusou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de traição por pedir, nos EUA, retaliações ao Brasil devido ao processo. Em meio a isso, Donald Trump anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e impôs sanções a Moraes e outros integrantes da Corte, classificando o julgamento como “caça às bruxas”.
A resposta do governo brasileiro tem sido firme: Lula reforçou que o país não negocia sua soberania. A repercussão internacional também inclui elogios. A revista The Economist destacou o julgamento como um exemplo de defesa democrática, comparando Bolsonaro aos extremistas que invadiram o Congresso americano em 2021 para tentar impedir a posse de Joe Biden.