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Sócio de Ciro Nogueira criou canal acusado de propagar fake news contra adversários

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Por Igor Mello

Sócio de Ciro Nogueira (PP-PI) em negócios imobiliários, o empresário Carlos Santana montou uma empresa de comunicação acusada de propagar fake news no Piauí contra adversários políticos do senador. O canal empregou assessores e aliados políticos da família Nogueira.

Como o núcleo investigativo do ICL Notícias revelou nesta quinta-feira (13), a Tecnobank – empresa da qual Santana era dono na época – foi a principal beneficiada por uma emenda feita por Ciro Nogueira em fevereiro de 2023. A mudança no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) beneficiou os interesses da Tecnobank no mercado de registros de gravames junto aos Detrans.

Os gravames são registros lançados em bancos de dados de autoridades de trânsito indicando que um veículo não pode ser vendido. Isso ocorre, em geral, quando o automóvel foi adquirido por meio de financiamento bancário ou leasing (quando um banco ou empresa financeira compra um bem e o aluga para um cliente), entre outras condições menos comuns.

Site foi fundado após rompimento de Ciro com o PT

Carlos Alberto Santana é um advogado paranaense e fundou a Tecnobank em 2007. No mesmo período, ocupou cargos importantes no governo do estado do Mato Grosso: foi secretário-adjunto de Justiça e diretor de Gestão Sistêmica do Detran-MT.

Ao mergulhar no mundo dos negócios, Santana dividiu-se entre empreendimentos no interior do Paraná e na cidade de São Paulo, onde fica a sede da Tecnobank. Isso só mudou em junho de 2020, quando fundou a empresa Piauí Comunicação.

Foi por meio dela que criou a TV Piauí, um canal de notícias nas redes sociais que acumulou uma série de acusações de ser uma produtora sistemática de fake news.

A fundação do canal coincide com o rompimento do senador Ciro Nogueira com o PT do Piauí, que tinha àquela altura Wellington Dias como governador do estado. Em agosto daquele ano, Dias comunicou oficialmente aos partidos de sua base o rompimento com o grupo político do senador, após uma conversa a portas fechadas em Brasília.

Tão logo entrou em ação, a TV Piauí centrou suas baterias em atacar o PT e promover aliados de Ciro Nogueira. As digitais do senador estavam claras no projeto: dois dos principais jornalistas do veículo –Rafael Dias e Dânio Souza – eram nomeados em gabinetes de sua família.

Jornalistas trabalharam com a mãe de Ciro Nogueira

Dânio Souza foi nomeado por Ciro Nogueira em seu escritório de representação no Piauí em junho de 2019 e permaneceu no cargo janeiro de 2023, com um salário de R$ 3,8 mil.

Já Rafael Dias foi nomeado em setembro de 2021 e tinha um salário de R$ 2,2 mil no escritório de apoio do senador no Piauí –na ocasião, Ciro ocupava o cargo de ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e o mandato era exercito formalmente pela mãe do senador. Ele foi mantido no cargo até fevereiro de 2023.

Ligações políticas com PL e PP

Além de apresentador da TV Piauí, Dias foi vice-presidente do diretório estadual do PL no Piauí, sobre o qual Ciro Nogueira mantinha grande influência, segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE). Os procuradores acusavam o canal de beneficiar os interesses do partido e de Iracema Portella, ex-esposa de Ciro Nogueira e candidata a vice-governadora do estado por indicação dele.

O partido de Bolsonaro era comandado no estado por Samantha Cavalca, apresentadora da TV Piauí. Segundo reportagens da imprensa local, Samantha chegou a figurar como sócia da Piauí Comunicação ao lado de Carlos Santana até março de 2022. Depois, foi substituída na empresa por seu marido, Brunno Dutra Rocha de Souza.

Ciro Nogueira beija as mãos de Samantha Cavalca
Ciro Nogueira beija as mãos de Samantha Cavalca (Crédito: Reprodução/ Facebook)

Após deixar o PL, a jornalista se filiou ao PP de Ciro Nogueira para disputar uma vaga como vereadora em Teresina (PI). Com o auxílio de R$ 300 mil de fundo eleitoral repassado pelo senador à campanha, ela conseguiu se eleger.

Canal foi alvo da Justiça Eleitoral

Com a chegada da campanha eleitoral de 2022, a TV Piauí pisou no acelerador. Divulgou sistematicamente conteúdos que foram considerados peças de desinformação pelos adversários atacados e até mesmo pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). A dez dias do primeiro turno, os promotores conseguiram na Justiça mandados de busca e apreensão contra os alvos relacionados às fake news

A polícia bateu na sede da Piauí Comunicação, em Teresina, para apreender computadores e dispositivos. Um programa do canal chegou a ser interrompido por conta da batida da PF.

 

Rafael Dias, assessor parlamentar da família Nogueira, também foi alvo.

A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio das contas da TV Piauí nas redes sociais. Carlos Santana acabou decidindo fechar a empresa após as eleições. Segundo a Receita Federal, a Piauí Comunicação deixou de operar em janeiro de 2023.

O ICL Notícias questionou Ciro Nogueira e Carlos Santana a respeito do envolvimento com a TV Piauí. O empresário não respondeu as perguntas, mas enviou um posicionamento onde sustenta que suas atividades empresariais sempre estiveram dentro da lei:

“Esclareço que, além de advogado, atuo como empreendedor em diferentes segmentos. Todas as minhas atividades são de natureza privada, não recebem recursos públicos e sempre foram conduzidas em estrita observância à legalidade”, escreveu Santana.

O senador Ciro Nogueira foi procurado para esclarecer a relação com Carlos Santana e a TV Piauí, bem como o fato de sua família ter empregado jornalistas que atuaram no canal. Ele não respondeu até o momento. O espaço para manifestação segue aberto.





ICL Notícias

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