Início BRASIL Sem provas, Trump acusa eleição brasileira de ‘fraudulenta’ e ‘corrupta’

Sem provas, Trump acusa eleição brasileira de ‘fraudulenta’ e ‘corrupta’

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O presidente dos EUA, Donald Trump, se pronunciou pela primeira vez em relação à eleição brasileira e atacou o processo democrático nacional. Mas evitou dizer se irá tomar alguma atitude para defender Flávio Bolsonaro.

“Achei que foi uma situação muito ruim”, disse o americano nesta segunda-feira. “Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”, insistiu.

“Francamente, não tomei partido, mas foi uma imagem péssima para o mundo. É mais uma eleição. Sabe, as eleições precisam ser incontestáveis, e aquilo me pareceu muito ruim”, disse.

“Acompanhei a eleição. Pareceu tão, tão corrupta, tão terrível”, afirmou Trump.

Apesar de dizer que não tomou partido, o americano elogiou Flávio Bolsonaro após o primeiro turno. “Foi uma grande vitória, apertada, mas uma vitória muito, muito grande. Incrível, na verdade”, disse.

Mas a decisão de não dar um apoio público veio da constatação de que seu envolvimento direto iria prejudicar o bolsonarismo.

Trump: “Gosto de Lula”

Questionado se iria sair ao resgate do senador brasileiro, ele evitou dar qualquer pista sobre uma eventual ação.

“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, disse.

Enquanto dezenas de países reconhecem e parabenizam o brasileiro pela vitória, a Casa Branca ainda estuda a possibilidade de não reconhecer o resultado. Há uma pressão por parte dos bolsonaristas para que Washington atue neste sentido, usando a prorrogação do horário de eleição como pretexto.

Nas redes sociais, um dos advogados de Trump, Martin de Luca, questionou se o domingo havia sido o dia em que “Lula se transformou em Nicolas Maduro”, alertou para o suposto roubo nas eleições e indicou que “ninguém reconheceria” a eleição.

A publicação também foi compartilhada por Elon Musk, com um comentário no melhor de seu estilo: “wow”.

Donald Trump Junior, filho do presidente americano, também compartilhou a publicação.

Na semana passada, numa sinalização que deixou observadores da sociedade civil preocupados, o governo de Donald Trump não se comprometeu em reconhecer os resultados eleitorais no Brasil.

Há duas semanas, congressistas norte-americanos enviaram uma carta ao Departamento de Estado, cobrando um posicionamento por parte de Marco Rubio sobre a eleição no país. A principal preocupação do grupo liderado pelo senador Bernie Sanders era de que o voto no Brasil fosse alvo de uma operação de desestabilização por parte dos EUA. No documento, Sanders e outros pressionavam o governo Trump sobre qual seria a reação da Casa Branca diante da situação brasileira.

A carta foi seguida por outras duas manifestações por parte deputados e senadores dos EUA, também pressionando Rubio a dar respostas sobre o posicionamento americano no processo democrático no país.

Mas na resposta, enviada nesta quinta-feira, o governo Trump não deu qualquer garantia de que irá reconhecer o resultado das urnas.

Num texto lacônico, o Departamento de Estado afirma:

“Os EUA apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo. Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”.

A resposta não foi sequer assinada por Rubio. Coube a Katherine Bowles, sub-secretária para Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, enviar o texto.

A carta acendeu um alerta. Nos últimos meses, a sociedade civil brasileira tem percorrido gabinetes de democratas nos EUA, alertando sobre o risco de que Trump não reconheça o resultado da eleição.

A ação da oposição é considerada como estratégica para observadores brasileiros. A pressão dos parlamentares pode gerar constrangimentos para uma eventual ação desestabilizadora por parte de Trump. A esperança do Brasil é de que essa movimentação ainda sirva como um contraponto dentro do próprio EUA, caso o presidente americano opte por não reconhecer uma vitória de Lula.

O qualificativo de “livre e justo” por parte do Departamento de Estado para se referir à eleição no Brasil também chama a atenção. Uma parte da sociedade civil questiona quem, nos EUA, designaria que a eleição foi “livre e justa”. A suspeita é de que esses termos possam ser usados, eventualmente, para justificar uma decisão por parte de Trump de dizer que esses critérios não teriam sido atendidos.

Dias depois da carta de Sanders, um grupo de senadores liderado por Jeanne Shaheen, do Comitê de Relações Exteriores do Senado, e pelos senadores Tim Kaine e Peter Welch, voltaram a cobrar o Departamento de Estado.

A acusação era de favorecimento explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro. “A recente reunião no Salão Oval entre o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro e o presidente Trump — realizada em meio a tentativas de atenuar um escândalo político interno — evidencia a disposição da Administração em interferir no processo eleitoral”, indicam.





ICL Notícias

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