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Selfie mortal – ICL Notícias

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No fim de junho, Caio Rocha Aguiar Arrabal, de 44 anos,subiu numa pedra a cerca de 150 metros de altura, no alto da trilha da Pedra do Macaco, em Maricá, para tirar uma foto. Ao tentar descer, girou o corpo, tropeçou e despencou pela ribanceira. Uma mulher que fazia parte do passeio filmava a cena e chegou a pedir cuidado segundos antes da queda. Um resgatista da Defesa Civil contou depois que não foi o primeiro acidente naquela pedra, onde as pessoas costumam subir justamente para fotografar.

Não é um caso isolado. Um levantamento organizado pelo pesquisador Matthew Nash contabilizou 314 incidentes ligados a selfies entre março de 2014 e junho de 2024, com 425 mortes e 82 feridos em 49 países. A Índia concentra 190 dessas mortes, quase metade do total.

Quedas de grandes alturas são o tipo mais comum de acidente e afogamentos são a principal causa de morte. Ao menos uma em cada dez pessoas no Instagram admite que se arriscaria para ganhar mais seguidores. O risco deixou de ser vaidade individual e virou capital social.

O comportamento nano novo. Em 2013, “selfie” foi eleita palavra do ano pelo dicionário de Oxford, depois que o uso do termo cresceu 17 mil por cento em doze meses. No ano seguinte, na Carolina do Norte, uma mulher publicou no Facebook, enquanto dirigia, que a música “Happy” a deixava feliz. O post entrou às 8h33 e as 8h44 a polícia recebeu uma ligação informando sobre uma batida frontal em que ela morreu. Mais de dez anos depois, a lógica não mudou, só ficou mais letal.

Entendendo este momento, a Polaroid lançou sua nova campanha de sua câmera instantânea, com o slogan “Uma câmera para vida analógica”. As peças atacam as telas com frases como “ninguém no leito de morte disse que queria ter passado mais tempo no celular” e foram instaladas de propósito perto de lojas da Apple e escritórios do Google em Nova York e Londres. A marca ainda promove caminhadas sem telefone em Paris e Tóquio.

A selfie fatal e a campanha analógica são parte da economia da atenção, em que nossa presença parece só ter valor depois de publicada online. No episódio desta semana do RESUMIDO falei sobre num reality show onde o público paga para humilhar os participantes em tempo real.

Sem conseguir controlar a presença das telas em nossas vidas, resta tentar controlar o que é exibido nelas.

 





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