A Revista Liberta deste sábado (27) retrata uma Copa do Mundo que caiu nas garras do tigrinho. Na edição 41, os colunistas Juca Kfouri, Juliana Prates e Lúcio de Castro mostram como a “praga das bets” se espalhou pela sociedade enchendo os bolsos de poucos, às custas da ilusão e do sofrimento de muitos.
Não é de hoje que as casas de aposta se esforçam para se misturar com o mundo do esporte. Em 2024, o “Beach Club Pixbet” ocupou as areias da praia de Copacabana, misturando apostas com diversão e, de quebra, atrapalhando o serviço dos salva-vidas que protegiam os banhistas, segundo o 3º Grupamento Marítimo. Em 2026, a relação chegou a um novo nível: nas transmissões da Copa do Mundo, o vício se disfarçou de entretenimento e tomou o país.
Enquanto SBT, Cazé TV e Globo disputam a audiência dos torcedores, as bets que patrocinam as transmissões contam com a certeza do lucro. A emissora de Roberto Marinho, inclusive, tem até a própria plataforma de apostas para chamar de sua, a BetMGM, criada em parceria com a MGM Resorts.
Enquanto a bola rola nos gramados, a roleta segue girando. E, nas palavras de Juca Kfouri, “crescem as filas no INSS para cuidar dos dependentes; avolumam-se os casos de suicídios de endividados, de famílias arruinadas, de atletas sob suspeitas e de garotos-propaganda e veículos cúmplices de tamanha barbaridade”.
Outras faces da Copa
No cenário internacional, o colunista Jamil Chade mostra os bastidores do sucesso surpreendente de Cabo Verde, a jovem nação africana que disputa sua primeira Copa do Mundo e tem conquistado corações dentro e fora de campo. Mas, além do torneio, o país também aproveita a competição para fortalecer a própria identidade nacional.
A coluna narra como a seleção caboverdiana tem muito a dizer sobre a geopolítica do nosso tempo. De um time que conta com diversos jogadores da diáspora nascida no estrangeiro, ao sucesso do goleiro Vózinha e à consolidação de um país que busca se mostrar ao mundo.
Outra face da Copa vira assunto na coluna de Adriana Ferreira da Silva. O tema são as “selesposas”, termo usado pela grande mídia para se referir às mulheres do entorno de jogadores de futebol. A vida das esposas e irmãs se tornou pauta no jornalismo hegemônico, o que parece refletir o cenário de transformação da imprensa em meio à busca incessante por visualizações no mundo dos algoritmos.
Dramas jurídicos e negócios obscuros
Nos bastidores do poder no Brasil, a coluna Reserva Exclusiva narra o drama jurídico vivido pela TV Record. A emissora enfrenta processos milionários por cessão de direitos movidos por mais de uma dezena de artistas que atuaram em novelas do canal de Edir Macedo.
A polêmica dos anúncios de casas de apostas durante as narrações de jogos na Cazé TV também vira pauta na coluna. O assunto parece estar sendo acompanhado bem de perto por consultores do Congresso que já ventilam nos bastidores a possibilidade de uma investigação mais aprofundada.
A edição 41 da Revista Liberta traz ainda a coluna de Nina Lemos, que debate a atuação do Judiciário brasileiro que tende a colocar “na fogueira” mulheres já vitimizadas pela violência de gênero. Já João Cezar de Castro Rocha comenta os negócios obscuros do Banco Digimais, a instituição financeira do empresário Edir Macedo que tem ganhado dinheiro no mercado de crédito consignado aos servidores públicos.
Nesta Revista Liberta, você ainda confere textos exclusivos dos colunistas Hamilton Harlley, Marcia Tiburi, Luís Costa Pinto, Leandro Demori, Leonardo Boff, Sensacionalista e a charge de Mino.
Parte do conteúdo também está disponível para não assinantes. A arte de capa é do cartunista Aroeira.
