Por Yuri Eiras
(Folhapress) – Convenção do PSD nesta segunda-feira (20) oficializou a candidatura do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ao governo do estado. A chapa de Paes terá como candidata a vice Jane Reis (MDB), irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis.
Principal eventual concorrente de Paes, a chapa do PL, encabeçada pelo deputado estadual Douglas Ruas, perdeu neste domingo (19) o pré-candidato a vice Rogério Lisboa (PP), que anunciou saída.
Antes de ter Jane Reis na chapa, Paes tinha Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, como o mais cotado para ser o vice. O PP disse, em nota, que a saída de Lisboa da chapa do PL foi decisão estritamente pessoal.
Nos bastidores a saída envolve a falta de aproximação do líder do PP no estado, deputado federal Dr. Luizinho (RJ), com a chapa de Ruas. Luizinho, segundo fontes, preferia compor com Paes, mas acompanhou a decisão do presidente nacional do partido, o senador Ciro Nogueira (PI).
Candidatos a deputados do PP foram liberados a compor com Eduardo Paes. Há chance de que a federação União-Progressistas adote neutralidade.
“Nunca escondi minha relação com vários quadros do PP, especialmente o Rogério Lisboa”, disse Paes após a convenção. “Nós queremos somar as boas forças do estado na nossa aliança. O que eu puder fazer para tê-los ao meu lado nesta chapa, eu farei.”
Ainda sem pré-candidato a vice definido, o PL fluminense realiza convenção na próxima sexta-feira (24).
A convenção teve a presença de 16 representantes de prefeituras do estado, incluindo a capital. A busca por alianças no interior fluminense tem sido uma costura de Paes desde antes do anúncio da pré-candidatura ao Palácio Guanabara.
A convenção também oficializou a candidatura do deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ) ao Senado. A chapa é complementada com a pré-candidata do PT ao Senado, Benedita da Silva.
O PSD terá 47 candidatos a deputado federal e 71 candidatos a deputado estadual.
A eleição de outubro será a terceira tentativa de Paes de alcançar o governo estadual. Ele concorreu em 2006, quando o ex-governador Sérgio Cabral (então PMDB) foi eleito pela primeira vez, e em 2018, quando foi derrotado no segundo turno por Wilson Witzel (então no PSC).
A jornalistas o ex-prefeito do Rio disse que a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) foi tomada “por uma maioria de criminosos”, ao lembrar que, até o ano passado, o principal concorrente na disputa pelo governo do estado era o ex-presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União), preso sob acusação de vazar informações para vinculados ao Comando Vermelho.
“O meu adversário nessa eleição, se não fosse a ação da PF, seria o Rodrigo Bacellar. Ele era unha e carne com o governador Cláudio Castro. Era o líder dessa turma que está apoiando outra candidatura.
Se ele não tivesse sido preso, estaria me enfrentando neste momento. Infelizmente -não é a totalidade, tem muito deputado estadual sério-, mas a assembleia legislativa foi tomada por uma maioria de criminosos”, disse.
A disputa eleitoral fluminense tem sofrido impacto de operações recentes da Polícia Federal. Então pré-candidato ao Senado pelo flanco bolsonarista, o ex-prefeito de Belford Roxo Marcio Canella (União) foi alvo de ação da PF sob suspeita de lavagem de dinheiro, e chegou a ser preso por porte irregular de arma.
Em junho, Washington Reis e Jane Reis foram alvos de busca e apreensão da PF. De acordo com a PF, “foi apurado que investigados mantêm bens próprios em nome de terceiros, realizam despesas incompatíveis com sua condição financeira e participam de negociações vinculadas a imóveis”.
Jane disse, em nota à época, que “não é citada na investigação e permanece à disposição das autoridades”. Washington disse que já apresentou documentos à PF para demonstrar a ausência de ilegalidade nos atos investigados.
O inquérito apura os crimes de organização criminosa, fraude a licitação e lavagem de dinheiro.
Advogada, Jane Reis (MDB), é sócia-administradora da empresa que controla propriedades do irmão, Washington Reis.
Washington, Jane e o atual prefeito de Duque de Caxias, Netinho Reis (MDB), estiveram na convenção.
A família Reis tem afinidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o recebeu na cidade nas eleições municipais de 2024.

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