Por André Uzêda
Capital do quarto maior colégio eleitoral do Brasil, a cidade de Salvador amanheceu com uma frota de ônibus reduzida neste domingo (25), dia do segundo turno da eleição presidencial
Moradores de diversos bairros, sobretudo aqueles onde se concentra uma maior população de baixa renda, relataram uma longa demora na chegada dos coletivos, resultando em aglomerações nos pontos de ônibus e espera de até uma hora.
A capital baiana é administrada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), afilhado político de ACM Neto, que declarou apoio público a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

No primeiro turno, Lula venceu o filho de Jair Bolsonaro em todas as 19 zonas eleitorais da capital baiana, abrindo uma margem de 65,26% contra 27,03% — isso representou mais de meio milhão de votos de frente em favor do petista.
Nas zonas periféricas da cidade, a exemplo da 3ª Zona Eleitoral, Lula chegou a abrir uma vantagem de 70,43% dos votos contra 22,58%. Essa zona abrange bairros como Baixa de Quintas, Cidade Nova, Fazenda Grande do Retiro, IAPI, Pau Miúdo, Pero Vaz, San Martin e Santa Mônica. Os relatos que em áudio de moradores que o ICL Notícias recebeu são exatamente de alguns destes bairros.
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Mais de 6 horas para apenas retirar adesivos
Procurado pela reportagem, o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, informou que houve retenção de cerca de 75 ônibus para retirar adesivos com o número 13, segundo ele, colados pelo sindicato dos motoristas rodoviários.
Questionado se a retirada de adesivos justificaria uma demora de mais de 6 horas para regularizar a situação, Souza disse que “houve um atraso burocrático das equipes em resolver o impasse”, pois havia mais de um adesivo por veículo.
Souza prometeu enviar um vídeo mostrando a operação de retirada dos diversos adesivos, mas não encaminhou até o fechamento desta reportagem.
O secretário também foi questionado se tem ciência que manter os ônibus retidos configura crime eleitoral (artigo 32). “É um impasse, porque rodar com os ônibus com adesivo também é crime. Mas dei minha palavra publicamente que colocaríamos todos os ônibus para rodar, mesmo que fossem colocados novos adesivos. Já estamos com 90% da frota reposiconada”, disse.