O preço do petróleo voltou a subir forte nesta segunda-feira (16), com o barril do tipo Brent com preço próximo de US$ 105 em meio à guerra entre EUA, Israel e Irã, que já entra na terceira semana. O mercado acompanha com tensão os novos ataques na região e, principalmente, a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo.
O Brent, referência internacional, avançou 1,6% e chegou a US$ 104,73, depois de abrir acima dos US$ 106 por barril. Desde o início do conflito, a alta já supera 40%. Nos Estados Unidos, o petróleo WTI subiu 1%, para US$ 99,68, acumulando valorização próxima de 50% no mesmo período. A escalada reacende temores de inflação global e amplia a pressão sobre governos, bancos centrais e mercados financeiros.
Nas bolsas asiáticas, o cenário foi misto. O índice Nikkei, de Tóquio, caiu 0,4%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,6%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,1%, mas Xangai recuou 0,7%. Os futuros das bolsas americanas operavam em alta, após uma sexta-feira marcada por perdas em Wall Street, justamente por causa do novo salto do petróleo acima dos US$ 100.
A principal preocupação do mercado segue sendo o impacto da guerra sobre o fluxo de energia no Golfo Pérsico. O Irã teria retaliado os ataques dos EUA e de Israel ao interromper, na prática, o tráfego de cargas no Estreito de Ormuz.
Segundo a consultoria Rystad Energy, mais de 12 milhões de barris por dia deixaram de ser produzidos em pouco mais de uma semana. Ainda assim, relatos de que alguns navios conseguiram cruzar a região aumentam a incerteza. Para analistas, o mercado trabalha sem visibilidade clara sobre o que de fato está acontecendo na rota.
O risco é que a crise do petróleo provoque uma nova onda inflacionária em escala global. Mesmo com a Agência Internacional de Energia liberando 400 milhões de barris de reservas emergenciais, o gesto ainda não foi suficiente para acalmar os investidores. Nos Estados Unidos, o ambiente se torna ainda mais delicado para o Federal Reserve, já que juros mais baixos poderiam estimular a economia, mas o avanço da inflação limita essa possibilidade.
Dados divulgados na sexta-feira (13) mostraram que a inflação ao consumidor nos EUA subiu 2,8% em janeiro na comparação anual. Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 3,1%, no maior ritmo em quase dois anos. Ao mesmo tempo, os gastos do consumidor cresceram 0,4%, assim como a renda.
A confiança do consumidor, por sua vez, recuou para o menor nível do ano, refletindo o encarecimento dos combustíveis desde o início da guerra. A economia americana também teve revisão para baixo e cresceu apenas 0,7% em ritmo anual no último trimestre do ano passado.
No câmbio, o dólar caiu levemente frente ao iene japonês, enquanto o euro avançou em relação à moeda americana. O comportamento dos mercados nesta semana deve continuar fortemente ligado aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e, sobretudo, à situação no Estreito de Ormuz.
