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‘Partido da Barata’: insatisfação política jovens na Índia

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(UOL/Folhapress) – Uma barata virou o símbolo improvável da insatisfação política de jovens na Índia. O chamado “Cockroach Janta Party” (CJP), ou Partido do Povo Barata, começou como uma sátira online após declarações polêmicas do presidente da Suprema Corte indiana, Surya Kant, e rapidamente se transformou em um fenômeno digital.

O movimento explodiu nas redes sociais ao usar memes, vídeos curtos e slogans satíricos para criticar corrupção, desemprego e problemas políticos do país. Em poucos dias, a conta oficial do grupo no Instagram ultrapassou 15 milhões de seguidores, superando até mesmo o perfil do Bharatiya Janata Party (BJP), partido do primeiro-ministro Narendra Modi.

O movimento ganhou força depois que Surya Kant comparou jovens desempregados a “baratas” durante uma audiência judicial. Na ocasião, o magistrado afirmou que alguns jovens sem emprego acabam migrando para o jornalismo, ativismo ou redes sociais para “atacar todo mundo”.

Kant tentou reverter o teor de sua fala. Após a repercussão negativa, Kant esclareceu que seus comentários se referiam especificamente a pessoas com diplomas falsos e não aos jovens indianos em geral.

Movimento nasceu de uma “piada”. O fundador do CJP é Abhijeet Dipke, estrategista de comunicação política e estudante da Universidade de Boston, nos Estados Unidos. Ao The Guardian, ele afirmou que o crescimento do grupo foi inesperado. “Nada disso foi intencional. Os jovens estavam muito frustrados. Eles não tinham espaço para expressar isso”, disse Dipke.

Segundo o The Times of India, o grupo conquistou mais de 40 mil membros em apenas dois dias após o lançamento. O movimento também recebeu apoio de figuras da oposição indiana, como Mahua Moitra e Kirti Azad.

Em uma publicação na rede X, Azad ironizou: “Gostaria de entrar para o Cockroach Janta Party. Quais são as qualificações necessárias?”. O perfil respondeu em tom bem-humorado: “Ganhar a Copa do Mundo de 1983 já é qualificação suficiente”.

O manifesto do CJP mistura ironia com pautas reais da juventude indiana. O grupo se define como “secular, socialista e democrático”. Entre os critérios para participar estão ser “desempregado, preguiçoso, cronicamente online” e possuir “habilidade profissional para reclamar”.

Apesar do tom humorístico, o movimento também apresenta reivindicações concretas, como:

  • Maior participação feminina na política;
  • Proibição de cargos públicos para juízes aposentados;
  • Punições para parlamentares que troquem de partido;
  • Críticas ao sistema educacional e à corrupção em concursos públicos.

O grupo ainda declarou apoio a estudantes afetados por escândalos recentes envolvendo exames nacionais na Índia.

Especialistas e veículos internacionais apontam que o sucesso do movimento reflete uma insatisfação crescente entre jovens indianos. A Índia possui uma das populações mais jovens do mundo, mas enfrenta desafios ligados ao desemprego, aumento do custo de vida e desigualdade social. Análises de veículos internacionais, como o The Guardian, afirmam que muitos jovens sentem que não são representados pelos partidos tradicionais e usam o humor online como forma de protesto.

Dipke afirmou que o movimento não possui ligação oficial com partidos políticos. Apesar disso, críticos apontam sua antiga relação com o partido Aam Aadmi Party (AAP), conhecido por sua atuação anticorrupção. Mesmo assim, o fundador acredita que o fenômeno pode ultrapassar o ambiente digital. “Esse é o movimento que chegou à Índia. Ele vai mudar o discurso político”, afirmou.

O crescimento do CJP também gerou reações. A conta do grupo na rede X chegou a ser bloqueada na Índia, embora os motivos não tenham sido oficialmente esclarecidos. Pouco depois, o movimento criou um novo perfil e publicou uma mensagem provocativa: “Você achou que poderia se livrar de nós? Risos.”





ICL Notícias

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