Por Rodrigo Chagas – Brasil de Fato
Eduardo Paes (PSD) usou o debate da TV Globo para tentar desconstruir o discurso de renovação de Douglas Ruas (PL), seu principal adversário na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. O prefeito associou o candidato à gestão de Cláudio Castro (PL) e ao grupo político que comandou a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
“Nós todos sabemos que ele é a continuidade, foi o sucessor escolhido pelo Cláudio Castro”, afirmou Paes. Segundo ele, a trajetória de Ruas repete a estratégia de candidatos que chegaram ao governo fluminense apresentando-se como renovação política.
Paes citou Wilson Witzel, eleito em 2018, e o próprio Castro, reeleito em 2022. “Ninguém sabia de onde vinha, ninguém conhecia, como ninguém sabia quem era o Douglas Ruas até 30 dias atrás”, disse.
O confronto apareceu também durante a discussão sobre segurança pública, uma das principais bandeiras de Ruas. Policial civil concursado, o candidato do PL tem usado a atuação na área como parte de sua campanha.
Paes lembrou que Ruas foi secretário de Castro e citou o apoio à candidatura dele de integrantes da cúpula da segurança do atual governo. “Ele fala da política de segurança como se fosse coisa do além. Ele era secretário do Cláudio Castro”, afirmou.
O candidato do PSD também ligou Ruas a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj. Paes chamou o adversário de “reserva oficial” de Bacellar na Assembleia e na disputa pelo governo e mencionou as investigações envolvendo o ex-deputado e o Comando Vermelho.
Ruas respondeu atacando as alianças políticas de Paes. O candidato do PL acusou o adversário de tentar esconder sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar votos entre eleitores de direita.
A relação com Lula tem sido dosada pela campanha de Paes. O presidente participou de atos ao lado do prefeito, enquanto o candidato também busca votos entre eleitores que não apoiam o petista. Ruas, por outro lado, aproximou sua campanha do bolsonarismo e aparece ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro em peças eleitorais.
Durante o debate, Paes afirmou que evita nacionalizar a disputa. “Por que eu não fico com esse papo deles de Bolsonaro, de Lula? Porque aqui tem um governador que é para tratar desse lugar aqui”, disse, apontando para o mapa do estado no estúdio.
Garotinho também questiona trajetória de Ruas
Anthony Garotinho (Republicanos) também dirigiu ataques à trajetória política de Ruas. O ex-governador questionou a apresentação do candidato como policial civil e enumerou cargos ocupados por ele fora da corporação.
“Ele é há 13 anos concursado, trabalhou dois anos na Polícia. Depois foi para o Inea. Depois foi ser secretário do papai. Depois foi ser secretário de Cláudio Castro. E depois virou presidente da Assembleia Legislativa do Estado”, afirmou Garotinho.
Garotinho também relacionou a atual direção da Alerj à crise da segurança pública no estado e afirmou que a influência política sobre as forças policiais contribuiu para o avanço de facções e milícias.
Paes retomou o mesmo argumento ao defender mudanças na estrutura da segurança estadual. O candidato afirmou que pretende reunificar a Secretaria de Segurança e reduzir a interferência política na escolha de comandos das polícias e de batalhões.
Paes e Ruas ocupam as duas primeiras posições nas pesquisas de intenção de voto. A pesquisa da Quaest divulgada nesta terça-feira (29) registrou 34% para o candidato do PSD e 25% para o candidato do PL. A margem de erro é de três pontos percentuais.

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