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OS BEATLES DA AMAZÔNIA. Por Wanderley Freitas

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Chegamos na semana decisiva do Festival Folclórico de Parintins, no último final de semana do mês de junho, os tambores rufarão forte no Bumbódromo da ilha da magia, palco da disputa acirrada dos bois Garantido e Caprichoso, os Beatles da Amazônia, que além de promover um espetáculo de proporções épicas, nas suas cores vermelho e branco e azul e branco, despertam uma histeria coletiva, uma devoção fiel, gritos de emoção e demonstrações de amor e carinho por onde passam. Guardada as devidas proporções aos quatros jovens de Liverpool, que promoveram uma revolução cultural que se espalhou pelo mundo, arrastando multidões em torno das suas músicas, estilo e carisma, o Garantido e o Caprichoso dividem e apaixonam a Ilha de Parintins, a Amazônia e o Brasil, ganhando também, um destaque merecido em muitos países.

 

A rivalidade entre os dois bumbás vai muito além de uma competição folclórica, transformando a cidade em uma onda de cores e emoções, onde as torcidas, conhecidas como “galeras” e “nações”, são tão fervorosas quanto os fãs que aguardavam os Beatles. São coreografias ensaiadas, as toadas em uníssono e uma dedicação que transcende o simples torcer e faz da atmosfera de Parintins uma experiência única. A ilha é invadida por uma multidão vermelha e azul, seja pelo céu, com voos de hora em hora, ou pelo rio Amazonas com barcos das cidades vizinhas, de outros estados e de Manaus, ao som de muita toada e “causos” que mereceriam outro artigo.

 

As casas e ruas se vestem nas cores do Garantido e Caprichoso, e a identidade de cada morador ou visitante, se funde a paixão pelo seu boi. Assim como as imagens dos Beatles se popularizaram e se tornaram obrigatórias, em Parintins, grandes marcas adaptaram suas logomarcas para abraçar as cores dos bois, uma demonstração da influência cultural do evento. O calor do amazonas se funde ao calor humano dos moradores de Parintins, se tornando apenas um detalhe nessa explosão de alegria e cores. Pelas ruas a euforia se torna regra e todos balançam no compasso da toada, no “dois prá lá, dois prá cá”.

 

Parintins é o berço de grandes talentos que se destacam no Festival. Se a Beatlemania exportou a música e um estilo de vida, Parintins exporta a arte, a arte que corre na veia, bate forte no peito e impressiona na arena do Bumbódromo, com alegorias gigantes, com movimentos e efeitos visuais extraordinários, muita eficiência e criatividade. São escultores, carpinteiros e pintores, formados nas agremiações e mestres em seu ofício, que hoje são figuras de destaque na produção dos carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo, levando a genialidade do caboclo amazônico para além das fronteiras do estado, ressaltando a magnitude e o reconhecimento da arte desenvolvida na ilha.

 

São três noites do Festival de Parintins que, mais do que um espetáculo visual, é um poderoso reconhecimento e afirmação da importância da cultura indígena. Garantido e Caprichoso honram e defendem as tradições dos povos originários da Amazônia nos itens que fazem parte da disputa, como rituais, lendas, com o pajé e a cunhã-poranga e demais itens. A valorização cultural, aliada a grandiosidade artística, elevou o Festival de Parintins e atraiu olhares do mundo todo, assim como a música dos Beatles que, a partir de Liverpool, ecoou em cada canto do planeta.

 

Do Amazonas para o mundo, Boi Garantido e Boi Caprichoso, que por onde passam causam furor, despertam paixão, arrastam multidões e seguem firmes, celebrando a nossa arte, identidade e a força avassaladora da nossa cultura.

 

Viva os Beatles da Amazônia! Viva o Festival de Parintins!

Wanderley Freitas é Bacharel em Turismo, corretor de imóveis, compositor da Gres Reino Unido da Liberdade, poeta e escritor, membro da ALCAMA – Academia de Letras e Culturas da Amazônia.

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