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No Rio, bairros ricos tiveram luz em minutos; periferia passa 70 horas no escuro

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Quinze minutos. Esse foi o tempo que moradores de Copacabana, na Zona Sul do Rio, precisaram esperar para que a energia elétrica fosse restabelecida após o vendaval que atingiu o estado na última quarta-feira (29). A alguns quilômetros dali, em Vigário Geral, bairro que faz divisa com a Baixada Fluminense, milhares de famílias continuavam sem luz até a tarde desta sexta-feira (31), mais de 70 horas depois da tempestade.

Revoltados diante da situação, moradores foram às ruas reclamar da demora do restabelecimento de energia elétrica, causando protestos com bloqueios de vias, barricadas incendiadas e intervenções da Polícia Militar nas zonas norte e oeste da cidade.

Na comunidade Bela Vista, na Taquara, Zona Oeste do Rio, moradores queimaram lixo e interditaram vias em forma de protesto. Em Sepetiba, também na Zona Oeste, manifestantes incendiaram entulhos na Estrada de Sepetiba e depredaram um ônibus, que foi deixado atravessado na pista para impedir a passagem de veículos.

Ainda na Zona Oeste, a situação levou moradores de Guaratiba a bloquear a Estrada do Magarça, na altura do Jardim Maravilha, com barricadas em chamas. A Polícia Militar foi acionada para dispersar a manifestação e liberar a via, que chegou a ficar interditada.

Moradores de vários bairros protestaram contra a falta de luz — Foto: Reprodução/TV Globo
Moradores de vários bairros protestaram contra a falta de luz — Foto: Reprodução/TV Globo

Em Campo Grande, houve uma tentativa de bloquear a Estrada do Monteiro, mas equipes da Cavalaria impediram o fechamento completo da via. Em outra área do bairro, moradores incendiaram barricadas enquanto motociclistas promoveram buzinaços para denunciar a demora no retorno do fornecimento de energia. De acordo com relatos, algumas localidades já estavam há mais de 30 horas sem luz. Também foram registrados protestos na Estrada do Capenha.

Na Baixada Fluminense, as manifestações também foram registradas em diversos municípios. Em Duque de Caxias, moradores incendiaram objetos na Avenida Kennedy, no Parque Boa Vista, e também houve protestos no bairro Santa Lúcia. No distrito de Xerém, em Duque de Caxias, moradores bloquearam a Estrada do Rio do Ouro e atearam fogo em lixo após permanecerem mais de 24 horas sem energia elétrica.

Em Nova Iguaçu, moradores do Jardim Corumbá foram às ruas para cobrar a normalização do serviço. No bairro Cabuçu, os protestos chegaram ao terceiro dia consecutivo desde a passagem do vendaval. Já em Queimados, moradores do bairro São Jorge também realizaram manifestações exigindo o restabelecimento do fornecimento de energia elétrica.

Apesar da Enel informar que cerca de 95% dos imóveis afetados pela tempestade já tinham tido o fornecimento de energia restabelecido nesta sexta-feira (31), às 6h, mais de 100 mil clientes da Light e da Enel ainda estavam sem luz.

Procurada pela reportagem, a Light não deu retorno sobre a situação.

Quem sente mais os impactos climáticos?

As rajadas de vento também provocaram a queda de mais de 260 árvores, interromperam a circulação de trens, metrô e barcas e deixaram mais de 1 milhão de imóveis sem energia elétrica nas horas seguintes à tempestade. Os transtornos provocados pelo vendaval no Rio de Janeiro vão além da interrupção no fornecimento de energia.

A diferença no tempo de resposta entre bairros da cidade elucida uma discussão que tem ganhado espaço acerca do avanço dos eventos climáticos extremos: quem sofre os maiores impactos das mudanças no clima?

Embora tempestades, ondas de calor e enchentes atinjam toda a população, seus efeitos não são distribuídos de forma igual. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, do IBGE, 74,2% das moradias consideradas precárias no Brasil são chefiadas por pessoas negras, de comunidades periféricas, e de baixa renda, ou seja, é essa parcela da população que costuma enfrentar consequências mais prolongadas devido à menor oferta de infraestrutura urbana, à precariedade dos serviços públicos e à maior exposição a áreas de risco.





ICL Notícias

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