Organizações sociais do Rio de Janeiro, entre elas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entregaram à deputada federal e pré-candidata ao Senado Benedita da Silva (PT) uma carta com críticas à atuação do Congresso Nacional e uma agenda de reivindicações para as eleições de 2026. O documento foi entregue na noite desta quinta-feira (30), durante um evento na Quadra da Unidos da Tijuca, no Centro do Rio.
Na carta, os movimentos afirmam que o Senado tem dificultado o avanço de propostas voltadas à redução das desigualdades e à ampliação dos direitos sociais, priorizando, segundo eles, interesses do mercado financeiro, do grande empresariado, do latifúndio e da especulação imobiliária.
“As organizações denunciam que o Senado tem retardado, desidratado ou bloqueado importantes iniciativas voltadas à redução das desigualdades, à ampliação dos direitos sociais e ao fortalecimento das políticas públicas”, afirma o documento.
Entre os exemplos citados estão a demora na tramitação da proposta que reduz a jornada de trabalho sem redução de salário, o fim da escala 6×1, a regulamentação do trabalho por aplicativos e a PEC da Segurança Pública. Segundo as entidades, essas pautas permanecem travadas apesar do amplo apoio popular.
Os movimentos afirmam ainda que o país enfrenta um cenário marcado por concentração de renda, déficit habitacional, insegurança alimentar, racismo estrutural e crise climática, problemas que atingem principalmente trabalhadores, população negra, indígenas, quilombolas e camponeses. Para eles, a demora na votação de projetos de interesse popular tem limitado a capacidade do governo federal de implementar políticas públicas.
Críticas ao Rio de Janeiro
A carta também aborda a situação do Rio de Janeiro, governado há cerca de duas décadas por forças políticas de direita e extrema direita.
Segundo o documento, o estado enfrenta uma combinação de violência, expansão das milícias, crise econômica, desindustrialização, desemprego e aumento das desigualdades. Embora reconheçam a retomada de investimentos pelo governo Lula, os movimentos afirmam que a atuação do Congresso dificulta a execução dessas políticas.
As entidades defendem maior investimento em regularização fundiária, urbanização de favelas, contenção de encostas, saneamento básico, habitação popular e infraestrutura urbana.
Na avaliação dos movimentos, senadores eleitos pelo Partido Liberal (PL) têm contribuído para o avanço de uma agenda contrária aos interesses da população.
Agenda para 2026
Os movimentos defendem a eleição de parlamentares comprometidos com a democracia, a Constituição de 1988, a reforma agrária e urbana e os direitos da classe trabalhadora. Para as entidades, a pré-candidatura de Benedita da Silva amplia a representação dos movimentos sociais no Congresso.
Ao final da carta, as organizações apresentam uma agenda de prioridades para orientar a atuação da parlamentar caso seja eleita senadora. Entre as principais reivindicações estão a reforma agrária e urbana, o fortalecimento da participação popular, o combate ao racismo, o fim da escala 6×1, a regulamentação do trabalho por aplicativos, a valorização do salário mínimo e políticas de justiça climática, habitação e saneamento.
O documento é assinado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento Brasil Popular (MBP), Movimento Negro Unificado (MNU), Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos (MTSD), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), União por Moradia Popular do Rio de Janeiro (UMP-RJ) e representantes dos Povos de Terreiros.

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