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Ministros defendem Pix e chamam tarifaço de Trump de ilegítimo

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Por Heloísa Vilella 

O governo brasileiro reuniu o vice-presidente da república, quatro ministros de estado, o presidente do banco central e a secretária nacional de justiça para responder ao tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos. Em uma entrevista conjunta eles se revezaram para desmontar cada argumento usado pela Casa Branca e qualificaram a medida de ilegítima, irregular, infundada, injusta, inaceitável, inadmissível, e descabida.

Segundo o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida é uma clara tentativa de interferência no Brasil, que não pode ser aceita. “É inadimissível, do ponto de vista do governo, essa interferência externa, seja ela política, seja ela econômica”, afirmou.

Ele garantiu que os ministros vão conversar com o Presidente Lula para deflagrar um processo de reciprocidade, previsto em lei aprovada no congresso nacional por unanimidade. Durigan disse ainda que o Brasil não vai baixar a cabeça nem se dobrar e sim continuar a defender o Pix, segundo ele, um símbolo de soberania.

O discurso de Durigan se concentrou na defesa da democracia e da soberania brasileiras. Ele destacou que a política econômica do Brasil é desenhada para atender os cidadãos brasileiros, para combater injustiças, e não autoridades estrangeiras. Durigan garantiu que os Estados Unidos usaram argumentos falsos para justificar a imposição de tarifas injustas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin seguiu na mesma linha. Afirmou que não existe justificativa para as tarifas. O Pix está na mira dos Estados Unidos porque, segundo Washington, ele representa uma competição desleal com as empresas de cartão de crédito. Mas Alckmin destacou que o faturamento dessas empresas cresceu 150%, no Brasil, desde que o Pix foi lançado.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, usou uma metáfora para dizer que a argumentação não se sustenta: “é como dizer que ao criar o saneamento básico você prejudicou a receita do caminhão pipa”, disse. Para Galípolo, o Pix só afetou o dinheiro vivo e os cheques, “o que é o desejável, o Pix é o dinheiro do futuro”, disse. Segundo o presidente do BC, mais de 40 bancos centrais do mundo já fizeram acordo com a instituição brasileira para a transferência da tecnologia do Pix.

Argumento falso

Outro argumento usado pelos Estados Unidos para punir o Brasil com o imposto de 25% sobre uma lista de produtos de exportação foi o desmatamento. Mas como o Brasil vem reduzindo o desmatamento no país, eles incluíram um novo argumento falso, segundo o ministro do meio ambiente João Paulo Capobianco.

“Agora eles dizem que o desmatamento está inundando o mercado americano de madeira ilegal. Isso é inverídico! E o Brasil participa com apenas 0,65% do mercado mundial de madeira”, disse. Com essa porcentagem, não conseguiria inundiar o mercado americano. Além disso, a madeira americana é a teperada, tipo Pinus. E a brasileira é a madeira de lei das florestas tropicais. São produtos que não competem um com o outro.

O ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, lembrou o caráter político que deu início ao problema. Já na primeira carta enviada pelo presidente Donald Trump ao presidente Lula, em março do ano passado, o americano mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro. A motivação política e a tentativa de interferência já estavam claras, disse. De lá para cá os dois governo tiveram 30 reuniões de negociação. Mas, como disse o embaixador Vieira, as demandas da Casa Branca eram sempre excessivas e nada razoáveis.





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