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Mendonça autoriza Vorcaro a voltar para cela especial na PF

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Por Luísa Martins, José Marques e Ana Pompeu

(Folhapress) – O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a volta do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a uma cela especial na superintendência da PF (Polícia Federal) em Brasília.
A decisão diz que a PF deve providenciar com urgência a saída do dono do Banco Master da cela comum.

Mendonça sinalizou a interlocutores que levou em conta as queixas da defesa do empresário sobre as más condições do local atual. A decisão também é vista como uma chance para que Vorcaro evolua nas tratativas para a delação e entregue mais informações.

Vorcaro deve ser transferido para o espaço da superintendência que foi inicialmente ocupado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que no momento cumpre prisão domiciliar temporária devido a problemas de saúde.

Na quarta (20), a PF rejeitou o acordo de colaboração oferecido por Vorcaro. A corporação entendeu que os fatos narrados por ele pouco acrescentaram à investigação e que o valor de devolução proposto para reparar os prejuízos é insuficiente.

Conforme mostrou a Folha, Vorcaro pretende seguir nas negociações com a PGR (Procuradoria-Geral da República), mas Mendonça ainda está cético quanto à viabilidade de homologar um acordo que dê benefícios ao empresário.

O advogado José Luis Oliveira Lima, que negociava a delação de Vorcaro, deixou a defesa nesta quinta. As tratativas devem seguir sob o comando do advogado Sérgio Leonardo, que é próximo do ex-banqueiro desde a juventude.

Quando começaram as tratativas da delação, Mendonça chegou a considerar a possibilidade de, a depender da quantidade e da qualidade das informações prestadas, autorizar a prisão domiciliar para o empresário. Passados dois meses, esse é um cenário praticamente descartado pelo ministro.

O relator lembrou a pessoas próximas que, desde que Vorcaro iniciou as negociações, em 19 de março, houve pelo menos quatro novas fases da Compliance Zero, o que demonstra que a investigação é capaz de “caminhar com as próprias pernas” e que a delação é, na verdade, dispensável.

Também há uma leitura de que a PGR costuma ser mais criteriosa que a PF na hora de firmar acordos -sendo assim, se a PF já rejeitou uma proposta, isso pode ser um mau sinal para Vorcaro. Apesar disso, procuradores ainda não descartam a delação, pois avaliam que um caso da dimensão do Master exige mais tempo de análise.





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