O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o mercado na figura da Avenida Faria Lima, o centro econômico mais importante do país localizado na capital paulista, durante o seu discurso no ato de abertura do 16º Congresso Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em Brasília.
“A gente tem que calibrar o discurso para falar com a sociedade brasileira. A gente não tem que dar muita importância para a Faria Lima não, o nosso discurso é para o povo brasileiro, para aqueles que trabalham”, declarou o petista.
Lula também afirmou que a esquerda precisa se comunicar com setores de outros espectros ideológicos. “O nosso desafio não é agradarmos a nós mesmos. O nosso desafio é convencer os outros, que ainda não são nossos, a vir com a gente”, afirmou.
“Hoje, é uma festa. E amanhã? Qual é a tarefa que nós militantes de esquerda temos que fazer? Nós precisamos parar para discutir isso. Muitas vezes a gente costuma jogar a culpa nos outros e a gente não pensa e a gente errou, se a gente não errou, o que a gente fez ou o que a gente acertou”, disse Lula.
Eleições de 2026
Em outro momento, declarou que se concorrer à reeleição no pleito de 2026, será para derrotar a extrema direita. “Se eu decidir ser candidato, não é só para disputar, é para a gente ganhar essas eleições. Nós não temos o direito de permitir que a extrema direita volte a sonhar em governar esse país”, acrescentou.
“Eu, possivelmente, serei candidato a presidente outra vez, se eu estiver com saúde. Mas eu serei candidato para quê? Para continuar falando de Bolsa Família? É preciso pensar num país maior. Tem que ser um país que as pessoas acreditem que é possível de ser construído. Nossa linguagem está muito distante do nível de compreensão de milhões de pessoas. 2026 é um ano sagrado para nós, temos que fazer as coisas diferentes. Nós nos distanciamos do povo, perdemos porque não sabemos explicar coisas para o povo. Tem que ser um país que as pessoas acreditem que é possível de ser construído”, afirmou.
O chefe de Estado também voltou a citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe e declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2023 por abuso de poder.
“Como é que se explica uma figura politicamente grotesca como o Bolsonaro virar presidente da República desse país? Como é que se explica outras figuras serem eleitas em outros países da América do Sul e na Europa?”, questionou.
Venezuela
Lula também saiu em defesa da Venezuela em meio à escalada de tensão entre os presidentes Nicolás Maduro e o estadunidense Donald Trump. O presidente afirmou que nenhum país deve interferir em outro ao falar em soberania dos povos. “O que nós defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino, e não é nenhum presidente de outro país que tem que dar palpite de como vai ser a Venezuela ou vai ser Cuba”, afirmou Lula durante congresso.
Desde setembro, ao menos cinco embarcações foram bombardeadas pelos Estados Unidos perto da costa da Venezuela, resultando em 27 mortes. Embora Washington alegue tratar-se de uma operação antidrogas, fontes do Departamento de Defesa afirmam que o real objetivo é enfraquecer o governo de Nicolás Maduro.
Atualmente, oito navios de guerra e um submarino nuclear dos EUA estão posicionados próximos à Venezuela, e caças foram deslocados para Porto Rico. Na quarta-feira (15), Donald Trump anunciou ter autorizado operações secretas da CIA em território venezuelano e admitiu avaliar ataques terrestres contra “cartéis de drogas”, que poderiam incluir alvos ligados ao governo Maduro.
