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Janja defende fim da escala 6×1 e rebate Luciano Hang: ‘Desserviço à nação’

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A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, criticou o empresário Luciano Hang, dono da Havan, pelas declarações recentes contra o fim da escala 6×1 e classificou a postura como um “desserviço à nação e aos trabalhadores”. Em entrevista exclusiva ao ICL Notícias – 1ª edição desta segunda-feira (31), ela defendeu a redução da jornada para 5×2 e destacou que a mudança teria impacto especialmente importante na vida das mulheres.

A declaração foi uma resposta a Hang, que classificou como “medida eleitoreira” a proposta de acabar com a escala 6×1, em tramitação no Senado. Durante a inauguração da 196ª loja da Havan, no sábado (29), em Caldas Novas (GO), o empresário afirmou: “Querem enganar você com o fim da escala 6×1. […] Eles querem o voto de vocês em outubro”. Tudo isso diante de novos funcionários da empresa.

“A questão da escala 6×1 a gente tem discutido bastante internamente, a gente sabe que a redução da escala para 5×2 é muito importante, principalmente para as mulheres. A gente sabe que são elas que fazem o trabalho do cuidado em casa, então elas não têm tempo livre para suas vidas, para si próprias. É muito importante para as mulheres para poderem se cuidar, cuidar melhor da sua família, ter um tempo livre”, disse Janja.

“Acho um desserviço o que essa pessoa (Luciano Hang, da Havan) fez de colocar terror na cabeça dos seus funcionários. Acho um desserviço à nação, aos trabalhadores, chega a ser um desrespeito aos trabalhadores e, principalmente, às mulheres que estão ali trabalhando, sobretudo as do comércio que trabalham até em 7×0, trabalham muito mais nesse serviço e não têm tempo para nada, saem de casa, os filhos estão dormindo e voltam, eles já estão dormindo, sempre tem alguém ali se revezando no cuidado, ou fica com uma filha mais velha, ou com uma avó e quando chega, ela tem todo o serviço da casa, comida para fazer”, completou.

Janja também argumentou que a redução da jornada já foi adotada em outros países e pode representar ganhos de produtividade. “O Brasil tem um potencial enorme de se desenvolver, de ser uma potência, e a gente fica apegado nessa escala que diversos países do mundo já fizeram essa mudança, já reduziram a jornada de trabalho porque já foi comprovado que aumenta a produtividade do trabalhador. Além dele trabalhar com seu espírito mais tranquilo, sabendo que tem tempo para suas coisas.”

O empresário bolsonarista Luciano Hang durante discurso. Foto: Reprodução
O empresário bolsonarista Luciano Hang durante discurso. (Foto: Reprodução)

Janja acusa entorno de Trump de atuar ‘contra o Brasil’

Questionada sobre uma eventual interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, Janja destacou a atuação de Lula na defesa da soberania e afirmou que pessoas próximas ao presidente norte-americano Donald Trump atuam contra interesses brasileiros.

“A gente sabe do trabalho do presidente Lula na defesa da soberania do Brasil, da não interferência de outros países, quem quer que seja, não estamos falando só dos Estados Unidos, nas decisões internas do nosso país. A gente sabe disso, a gente sabe da voz importante dele no cenário internacional e, obviamente, isso foi o motivo pelo qual isso não foi perguntado na sabatina da TV Globo. A gente sabe da força que ele tem quando fala sobre isso, da defesa do Brasil, da soberania e da democracia”.

“O presidente tem conversado com o presidente Trump sobre isso, a gente sabe que tem um entorno do Trump que trabalha muito contra o Brasil, contra a soberania. Na questão do tarifaço, a gente viu a família Bolsonaro trabalhando intensamente pelas tarifas, então vir dizer agora que pediu para não ter o tarifaço não é verdade. Eles pediram uma pausa no tarifaço para que ele possa voltar caso a oposição ganhe. A gente precisa colocar as cartas na mesa para o eleitor e saber muito bem quem tá ao lado do povo, quem está ao lado do desenvolvimento do Brasil, quem sabe que o Brasil tem muito mais para crescer”, afirmou Janja.

“A questão da interferência na eleição a gente tem tratado de uma forma muito tranquila, estamos fazendo nosso trabalho, mostrando ao povo brasileiro todas as políticas públicas que foram reconstruídas nesse país. A gente pegou em 2023 um país completamente destruído do ponto de vista de orçamento, de pessoal, a gente teve que reconstruir políticas públicas. A gente já tinha aberto nos governos Lula 1 e 2, e no governo da presidente Dilma, uma trilha muito bem sedimentada e o mato voltou a crescer e a gente teve que novamente abrir essa trilha para poder seguir em frente e pavimentar de novo. Isso demandou muito tempo e muito esforço do presidente Lula em negociações, então acho que a gente tem que olhar para isso, apresentar nossas propostas e dizer por que agora o presidente Lula está indo para um quarto mandato, porque a gente não pode deixar o mato tomar conta de novo de tudo”, concluiu.

Ataques

Rosângela Lula da Silva, a Janja, afirmou que chegou a pensar em deixar Brasília e retornar para São Paulo diante dos ataques sofridos durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Janja disse que se preparou psicologicamente para enfrentar a campanha de 2026.

“Tenho falado que me preparei psicologicamente para essa campanha, muito mais que em 2022. Acho que por conta de criar casca desses ataques. É ruim falar isso porque a gente não deveria se acostumar com violência de gênero, com misoginia, mas acho que a gente tem que saber enfrentar”, declarou.

“Acho que estou sabendo psicologicamente enfrentar um pouco melhor. Teve momentos do governo que eu queria pegar minhas cachorras, minha bolsa, voltar para São Paulo e ficar lá fazendo meu pilates 10 da manhã, indo passear no parque, mas eu não sou esse tipo de mulher que fica numa caixinha. Eu tô aqui ao lado do meu marido para enfrentar tudo isso e trabalhar pelo Brasil”, concluiu.

A primeira-dama também classificou como “patético” o ataque feito pelo candidato à Presidência Renan Santos (Missão) durante o primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band. Na ocasião, Renan afirmou que Lula faria uso abusivo de álcool por ter de conviver com a esposa. “Ele está com Janja, melhor ficar bêbado nessas horas”, declarou o candidato. Ele também disse que o presidente teria “companhias melhores” no debate do que ao lado da primeira-dama.

“Eu tenho me preparado muito bem. O episódio do Renan Santos no debate foi patético, aquele homem me atacar daquela forma foi patético, mas a gente deu uma resposta, e é isso, a gente tem trabalhado. E eu não tô sozinha, a gente tem uma rede de proteção de mulheres que me dão a mão, essa rede permitiu que eu permaneça de cabeça erguida, que é uma das coisas que o presidente Lula me ensinou muito quando ele estava preso: a ter dignidade e andar de cabeça erguida”, disse.

Janja . (Foto: Ricardo Stuckert)

Janja critica violência contra mulheres e cita pacto global contra feminicídio

Ao abordar a violência contra as mulheres, Janja relacionou o cenário atual ao avanço do discurso de ódio no país nos últimos anos. Segundo ela, esse tipo de violência atinge mulheres em diferentes espaços da sociedade.

“A gente vive um momento um tanto dramático para as mulheres no Brasil. O discurso de ódio que se colocou nos últimos anos no país nos levou a esse estado de coisas. Tenho certeza disso, que foi o discurso de ódio mesmo que hoje atinge as mulheres em todos os setores, no trabalho, nas escolas, no Parlamento, dentro de casa”, comentou.

Janja também revelou ter conversado com a primeira-ministra da Itália sobre a proposta de criação de um pacto global contra o feminicídio.

“Eu tive uma conversa com a primeira-ministra da Itália porque eu tô propondo fazer um pacto global contra o feminicídio. A gente tem essa questão também dramática em outros países e ela fez um esforço muito grande, faz um ano mais ou menos, de aprovar uma lei de prisão perpétua para crimes de feminicídio, e eu estou convidando ela a se juntar a nós nesse movimento de mulheres líderes. Ela ficou muito chocada quando eu disse o número de mulheres que morrem em média no Brasil vítimas de feminicídio, pelo simples fato de serem mulheres”, revelou.

Na sequência, a primeira-dama defendeu as ações do governo Lula na área e criticou o fato de o tema não ter sido apresentado ao presidente durante sua sabatina na TV Globo.

“Acho que a gente tem uma força grande para mudar esse estado de coisas. O governo do presidente Lula tem feito um esforço de coordenar as ações de combate à violência contra a mulher, e a gente já tem resultados muito bons. Fico triste que durante a sabatina da TV Globo essa questão não foi colocada para o presidente Lula e eu fiquei até surpresa porque a gente conversou bastante sobre isso, ele tá muito com esse tema do feminicídio na cabeça e foi uma questão que foi perguntada para todos os candidatos, com respostas completamente desconectadas da realidade que a gente vive, e menos para ele, que tá apresentando realmente soluções para essa questão. Fiquei bastante surpresa de não terem perguntado para ele”, disse.

Janja afirmou ainda que o assunto será levado para a campanha eleitoral e disse estar participando de encontros com diferentes grupos de mulheres pelo país.

“Na campanha, a gente tá trazendo essa questão porque toca e conecta com as mulheres. Tenho feito muitas reuniões, andado pelo Brasil falando com diferentes grupos de mulheres, não só do Parlamento, do Executivo e do Judiciário dos estados, mas também com algumas mulheres vítimas de violência, sobreviventes disso, tem sido importante. A gente tem muito a falar sobre isso e muito para fazer ainda sobre isso.”

Encontros com mulheres evangélicas

Janja também falou sobre os encontros que tem realizado com mulheres evangélicas. Segundo ela, a iniciativa não tem como objetivo discutir religião ou promover uma aproximação eleitoral, mas compreender questões compartilhadas por mulheres de diferentes crenças.

“Quando eu resolvi fazer encontros com as mulheres evangélicas, foi uma coisa do meu coração porque eu queria ouvir delas qual é o sentimento que elas tinham com relação a nós, mulheres progressistas, que basicamente defendem pautas que atingem diretamente a nossa vida, que lutam por isso. Eu queria muito ouvir delas sobre essas questões.

“Nossos encontros não foram para falar de fé, de direita nem de esquerda, foi para ouvir elas, escutas mesmo sobre diferentes temas que atravessam a todas nós, independente de qual fé a gente professa. O que eu entendi ao final de tudo isso é que somos todas iguais, não tem diferença nenhuma nos nossos anseios, nas nossas aflições, nos nossos sonhos, nas nossas esperanças. As mulheres católicas, as de fé de matriz africana, as mulheres evangélicas que vivem nos territórios, nas periferias, convivem com os mesmos dilemas, com a insegurança, a dificuldade de uma vaga na escola, da creche, do transporte público, isso independente de fé. A gente precisa entender um pouco isso. Foi muito importante”, afirmou Janja.

“Um dos eventos que foi mais simbólico foi o da segurança alimentar. A gente conversou com mulheres evangélicas que fazem esse trabalho dentro das suas igrejas. Assim como a Igreja Católica sempre fez há séculos, de trabalhar a segurança alimentar, e outras religiões também. Isso foi muito importante, não foi querer aproximá-las de nós, foi querer entendê-las para conversar sobre esses temas diferentes que afetam nossa vida. Eu não posso ir lá e dizer para elas coisas que eu não sei sobre a vida delas, para isso foi muito importante esses encontros”, completou.

Janja explica música cantada com Kleber Lucas

A primeira-dama também comentou a repercussão de uma música que cantou ao lado do pastor Kleber Lucas em um evento de Lula. Ela negou que a apresentação tenha sido pensada como estratégia para estabelecer uma conexão com o eleitorado evangélico.

“Teve muita confusão. Essa música foi feita por uma moça que mora no Japão e quando ela postou esse vídeo nas redes dela e alguém mostrou para o meu marido, ele ficou muito emocionado porque essa música conta um pouco a trajetória dele. Ele ficou muito emocionado quando escutou essa música. E aí, dar luz a uma compositora nova do Japão e, obviamente, ela usou um recurso de IA para colocar a música na rede e eu achei que a música merecia uma voz e eu não tinha outra coisa a fazer senão cantar essa música. Convidei o Kleber Lucas, que é um amigo”.

Pastor Kleber Lucas e Janja da Silva cantam jingle em evento de lançamento da campanha de Lula. (Foto: Reprodução/YouTube)

“Em nenhum momento teve a intenção, e eu não vejo a música como uma música gospel, apesar da compositora ser evangélica, vejo como uma homenagem muito bonita para o meu marido, e ela fez o ‘tapete vermelho’ quando o presidente foi recebido nos Estados Unidos pelo Donald Trump, e ele foi recebido com tapete vermelho. Eu convidei o Kleber porque é um amigo querido e tem uma música que ele é compositor, que é o ‘Deus cuida de mim’, que em todos os encontros evangélicos eu pedia para tocar, mas a música me emociona muito e eu cantava junto com as meninas nos encontros e sempre que eu encontro o Kleber eu canto, porque transpassa todas as religiões. É uma música muito bonita”, explicou.

“Não teve em nenhum momento esse pensamento de fazer uma música para conectar com os evangélicos, é uma música para homenagear o meu marido, assim como em 22 a gente regravou, fez o clipe do ‘Sem Medo de Ser Feliz’, que eu canto também um pedacinho”.

Por fim, ao voltar ao tema da violência contra mulheres no ambiente digital, Janja defendeu medidas adotadas pelo governo e afirmou ter sido alvo de ataques após abordar riscos enfrentados por crianças e adolescentes nas plataformas.

“A gente também construiu um bom arcabouço de políticas de proteção à mulher, inclusive o decreto do presidente Lula de proteção digital das mulheres ao espelho do ECA Digital, que tem sido importantíssimo na proteção de crianças e adolescentes. Eu fui atacada até por isso. Quando eu falo do Discord, o problema não era o Discord ter permitido que uma menina se suicidasse ao vivo, o problema sou eu? Naquele momento o problema fui eu de ter falado, eu fico indignada. Esse não é o Brasil que a gente quer, que eu quero. Eu não tenho filhos, mas eu olho para as crianças e quero um Brasil com futuro bom para elas, que possam crescer sem medo, assim como as mulheres”, concluiu.





ICL Notícias

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