Início BRASIL Itália é cobrada sobre possibilidade de revogar passaporte de Flávio Bolsonaro

Itália é cobrada sobre possibilidade de revogar passaporte de Flávio Bolsonaro

0


O governo italiano terá de dar explicações sobre o procedimento que utilizou para dar um passaporte do país europeu para Flávio Bolsonaro. Nesta sexta-feira, o Parlamento Italiano colocou o tema em sua agenda e um ministro do governo de Giorgia Meloni será convocado a responder.

A audiência ocorre depois de o deputado Angelo Bonelli ter apresentado, por escrito, uma demanda para que a situação seja explicada. O parlamentar quer saber se o governo tem conhecimento das investigações em curso no Brasil envolvendo Flavio Bolsonaro e quais medidas pretendem adotar para “evitar o risco de que a cidadania italiana se torne, na prática, um instrumento para escapar da justiça em nível internacional”.

Bonelli ainda questiona se o governo pretende avaliar se existem fundamentos para a revogação dos passaportes detidos pelos filhos de Bolsonaro.

Meloni reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. Mas, nos últimos anos, a coalizão que governa a Itália conta com Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e líder da extrema direita no país.

Salvini é um aliado de Jair Bolsonaro e, depois do primeiro turno das eleições no Brasil, foi às redes sociais para publicar uma foto abraçando Flávio Bolsonaro e parabenizando o brasileiro pela vitória.

Classificando o senador como “meu amigo”, o líder da extrema direita destacou o resultado como “extraordinário”.

Matteo Salvini e Flávio Bolsonaro

Ao apresentar o questionamento ao governo de Meloni, Bonelli apontou que, em 2020, Flavio e Eduardo Bolsonaro — filhos do então presidente do Brasil, Jair Bolsonaro — solicitaram a inclusão na lista de espera da chancelaria consular da Embaixada da Itália em Brasília para obter o reconhecimento de sua cidadania iure sanguinis (por direito de sangue), apresentando comprovante de residência em Brasília.

Em 8 de novembro de 2022, nove dias após a derrota eleitoral de seu pai, Flavio e Eduardo compareceram à Embaixada para acompanhar o andamento de seus pedidos.

Em 13 de junho de 2025, em resposta à pergunta parlamentar nº 2-00631, o Governo confirmou que Flavio, Eduardo e Carlos Bolsonaro concluíram o processo com êxito e obtiveram a cidadania italiana: Flavio e Eduardo em 2023, e Carlos em 2024.

O deputado destaca que, desde agosto de 2018, a embaixada em Brasília suspendeu o agendamento de atendimentos para o reconhecimento de cidadania, mantendo apenas o registro de interessados ​​na lista de espera.

Em novembro de 2022, os atendimentos que estavam sendo processados ​​referiam-se a solicitações de 2018. “É necessário verificar se os Bolsonaro foram convocados seguindo a ordem cronológica da lista de espera ou se receberam tratamento preferencial em relação aos demais requerentes”, apontou.

Ele lembra que, por meio do Decreto-Lei nº 36 de 2025, o governo Meloni restringiu significativamente o reconhecimento da cidadania jure sanguinis. “Consequentemente, muitos descendentes de italianos não conseguirão mais obtê-lo, ao passo que os filhos de Bolsonaro — que foi condenado no Brasil por tentativa de golpe de Estado — o obtiveram com bastante rapidez”, destacou.

No pedido ao governo Meloni, o deputado destaca o histórico do ex-candidato à presidência:

“O senador Flávio Bolsonaro — candidato derrotado na eleição presidencial de 25 de outubro de 2026 — é alvo de dois inquéritos da Polícia Federal sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal. O primeiro, supervisionado pelo ministro Alexandre de Moraes, trata de alegações de lavagem de dinheiro ligadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento associadas ao advogado Willer Tomaz, incluindo o possível acesso a contas mantidas por uma entidade offshore; o segundo caso, sob a responsabilidade de André Mendonça, diz respeito ao financiamento do filme “Dark Horse” por Daniel Vorcaro — ex-controlador do Banco-Master —, que está implicado em evasão de divisas, associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção”.

Ele ainda lembra que Flávio Bolsonaro foi acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O processo foi interrompido após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular as provas colhidas, sem chegar a uma decisão sobre o mérito.

Primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni – Foto: Simona Granati – Corbis/Corbis via Getty Images

Bonelli ainda afirma que, em 16 de junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou, por unanimidade, Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de reclusão por coação no curso de um processo judicial, especificamente por tentar interferir no julgamento referente à tentativa de golpe de Estado.

A condenação transitou em julgado em 31 de outubro de 2026 e, em 7 de outubro de 2026, Alexandre de Moraes determinou sua prisão e o cancelamento de todos os seus passaportes brasileiros.

De uma forma mais geral, Bonelli alerta para o uso do passaporte italiano como escudo contra a Justiça.

No requerimento, ele cita o caso da ex-deputada Carla Zambelli — que, após sua condenação no Brasil, afirmou sentir-se “intocável”graças ao seu passaporte italiano. Isso, seguindo ele, “ilustra o risco de que a cidadania italiana possa ser utilizada para escapar da justiça no próprio país”.

Agora, ele quer “todas as informações necessárias para esclarecer quando Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro solicitaram a inclusão na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília, as datas em que foram convocados, quando apresentaram a documentação exigida para o reconhecimento e as datas em que obtiveram a cidadania”.

Ele também cobra respostas sobre quando a Embaixada retomou o agendamento de atendimentos após a suspensão em agosto de 2018, quantos requerentes que haviam entrado na lista de espera anteriormente ainda aguardavam um agendamento naquele momento, se foi providenciado um atendimento prioritário — ou que tenha fugido à ordem cronológica — para os três requerentes.

Em caso de um tratamento preferencial, ele quer saber qual critério e por quem, na Embaixada, isso foi autorizado.

Bonelli ainda quer saber se o governo pretende iniciar inspeções formais sobre a regularidade dos procedimentos seguidos no caso dos filhos de Bolsonaro — a fim de garantir tratamento igualitário a todos os requerentes — e fornecer ao Parlamento informações sobre os resultados de tais inspeções.

No pedido, o governo Meloni terá de responder ainda se foi emitido passaporte italiano para Eduardo e Flavio Bolsonaro, por qual autoridade e em que data, e se eles estão inscritos no AIRE (Registro de Italianos Residentes no Exterior).





ICL Notícias

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile