Início BRASIL Indicado para o STF, Messias criou primeiro código de ética da AGU

Indicado para o STF, Messias criou primeiro código de ética da AGU

0


Por Cleber Lourenço

Indicado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, carrega para a sabatina no Senado um dado político e institucional relevante: foi sob sua gestão que a Advocacia-Geral da União aprovou, em 2025, o primeiro Código de Ética institucional de sua história. A norma, formalizada pela Portaria nº 187, encerrou um vácuo normativo de mais de três décadas na AGU.

O Código de Ética da AGU passou a vigorar no ano passado, mas ganha novo significado em 2026, com Messias como indicado ao STF em um momento de forte tensão entre o tribunal, o Congresso e setores da oposição. No centro desse atrito está justamente o debate sobre limites, controle e conduta dos ministros da Corte.

Aliados de Messias avaliam que o histórico de criação do Código deve ser explorado como um ativo durante a sabatina. A leitura é de que a iniciativa dialoga diretamente com a cobrança, sobretudo da oposição, por mecanismos formais de responsabilização e autorregulação do Judiciário, pauta que ganhou tração no Senado nos últimos meses.

O tema da ética no Supremo entrou de vez na agenda política após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, defender a abertura de uma discussão sobre a criação de um Código de Ética próprio para o STF. A proposta acirrou resistências internas e externas, alimentando críticas de que o tribunal resiste a regras claras de conduta e fiscalização.

Consulta pública

Segundo a AGU, o Código foi elaborado a partir de um processo considerado amplo e técnico. A minuta foi submetida à consulta pública na plataforma Participa + Brasil, que recebeu mais de 540 contribuições, além de passar por rodadas de diálogo com entidades representativas das carreiras jurídicas e por sucessivas análises no Conselho Superior da instituição.

As primeiras iniciativas para a criação do Código remontam a 2014, mas o projeto só avançou de forma efetiva a partir de 2024, já sob a atual gestão. O texto final foi aprovado em julho de 2025 e apresentado como um marco de integridade, transparência e segurança jurídica na advocacia pública federal.

Na prática, o Código estabelece princípios como integridade, imparcialidade e responsabilidade institucional, além de buscar reduzir ambiguidades jurídicas e riscos interpretativos na atuação dos agentes públicos. A Comissão de Ética da AGU teve papel central na condução do processo e na consolidação do texto final.

O paralelo entre o criador do primeiro Código de Ética da AGU e sua indicação ao STF tende a atravessar a sabatina no Senado. Em um ambiente de pressão crescente sobre o Supremo e de disputa política em torno de seus limites, a trajetória de Messias passa a ser observada não apenas sob o prisma técnico, mas também como sinalização institucional em um dos debates mais sensíveis da atualidade.





ICL Notícias

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile