A escalada das tensões no Oriente Médio e a consequente alta do petróleo estão mudando o cenário para a política monetária no Brasil. Diante do risco de uma nova pressão inflacionária global, bancos e casas de análise passaram a revisar suas projeções para a taxa básica de juros, a Selic, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil.
Até pouco tempo, a expectativa predominante era de início do ciclo de cortes já em março, com redução de até 0,50 ponto percentual. No entanto, após a disparada do petróleo — que chegou a superar os US$ 100 por barril com o agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel — o mercado passou a adotar uma postura mais cautelosa.
Agora, grandes instituições financeiras como Itaú, Goldman Sachs, Citigroup, BNP Paribas, Bank of America, Santander e BTG Pactual passaram a prever um corte mais moderado, de 0,25 ponto percentual. Há ainda quem já considere a possibilidade de manutenção da Selic no patamar atual de 15% ao ano.
O próprio Banco Central havia sinalizado, na reunião de janeiro, que poderia iniciar a flexibilização dos juros caso houvesse confirmação de desaceleração econômica. Ainda assim, reforçou o compromisso de manter uma política monetária restritiva até garantir a convergência da inflação à meta de 3%.
Guerra mudou expectativas em relação à taxa de juros
Os dados mais recentes, porém, indicam piora nas expectativas. Segundo o boletim Focus, a projeção de inflação para o fim do ano subiu para 4,10%, enquanto a estimativa para a Selic também avançou.
Entre as análises mais cautelosas, a XP Investimentos passou a projetar a manutenção dos juros, destacando a deterioração do cenário inflacionário desde a última reunião do Copom. Já o Citigroup avalia que o Banco Central deve reforçar um discurso de vigilância diante das incertezas externas.
Por outro lado, algumas casas ainda defendem um corte maior. Para a Monte Bravo, uma redução de apenas 0,25 ponto teria pouco impacto, já que os juros continuariam em nível bastante restritivo mesmo com um corte mais significativo.
Enquanto isso, a atividade econômica brasileira segue mostrando sinais de resiliência. O IBC-Br, indicador considerado uma prévia do PIB, avançou 0,8% em janeiro, impulsionado principalmente pelos setores de serviços e indústria, apesar da queda na agropecuária.
Com esse cenário misto — atividade ainda firme e inflação sob pressão — a decisão do Banco Central ganha ainda mais relevância, em um momento de elevada incerteza no cenário global.
