Milhões de brasileiros foram surpreendidos, na madrugada desta terça-feira (14), por um apagão de grandes proporções que interrompeu o fornecimento de energia em ao menos 13 estados e no Distrito Federal, sendo eles São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Amazonas, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraíba, Sergipe e Rondônia.
A falha, que começou por volta de 0h30, deixou cidades de todas as regiões do país parcialmente sem luz por períodos que variaram entre 8 minutos e 1 hora.
O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que o apagão foi provocado por um incêndio em um reator da Subestação de Bateias, no Paraná — um ponto estratégico da rede de transmissão nacional. O fogo causou o desligamento de uma estrutura de 500 kV, o que isolou temporariamente as regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste do restante do país dentro do Sistema Interligado Nacional (SIN). Ainda não há confirmação sobre o que teria provocado o incêndio.
O apagão afetou o equilíbrio de transmissão elétrica entre as regiões, exigindo a atuação automática do Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC) — mecanismo que reduz temporariamente a demanda para evitar um colapso generalizado. Segundo o governo, a recomposição das cargas começou minutos após a falha e foi concluída de forma controlada até as primeiras horas da madrugada.
Em nota, o MME destacou que cerca de 10 mil megawatts de cargas foram desligados e que o restabelecimento foi mais rápido do que em ocorrências semelhantes. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) fará uma análise técnica até sexta-feira (17) para identificar as causas e evitar novos episódios.

Problema afetou milhares de brasileiros espalhados por todo o Brasil, tempo sem luz variou de 8 minutos até uma hora (Foto: Reprodução)
Estados mais afetados pelo apagão
No Rio de Janeiro, a Light relatou que aproximadamente 450 mil clientes ficaram sem energia causadas pelo apagão. A empresa explicou que o ERAC foi acionado e que a interrupção durou cerca de 30 minutos nas zonas Norte, Oeste e na Baixada Fluminense. A Enel, responsável pela Região Metropolitana, informou que 277 mil consumidores foram afetados entre 0h32 e 1h22.
Em São Paulo, também atendido pela Enel, 937 mil clientes ficaram sem luz por cerca de oito minutos. No Distrito Federal, a Neoenergia Brasília confirmou que o problema no SIN atingiu oito subestações, deixando 300 mil consumidores sem fornecimento entre 0h31 e 1h06.
No Amazonas, o apagão atingiu Manaus, Parintins e Itacoatiara, segundo a Amazonas Energia. O serviço ficou interrompido por cerca de uma hora e foi restabelecido às 00h25. Em Goiás, a Equatorial relatou que quase 50 municípios foram impactados, totalizando mais de 529 mil unidades consumidoras afetadas.
A Equatorial Maranhão informou que o fornecimento foi normalizado à 1h30, mas ainda não divulgou o número de consumidores atingidos.
Histórico
O último apagão nacional de grande escala ocorreu em 2023, quando cerca de 29 milhões de brasileiros ficaram sem energia em 25 estados e no Distrito Federal. Na época, o problema foi causado por uma sobrecarga no sistema elétrico.
Nota do Ministério de Minas e Energia na íntegra:
Às 00h32min ocorreu perturbação de grande porte no Sistema Interligado Nacional, com desligamento de cerca de 10.000 MW de cargas, de forma controlada (por atuação do Esquema Regional de Alívio de Carga – ERAC).
A ocorrência teve início em incêndio em reator na Subestação de Bateias (Paraná) que desligou toda a subestação de 500 kV, desinterligando as regiões Sul e Sudeste/Centro – Oeste, ocasionando contingência severa.
O retorno dos equipamentos e a recomposição das cargas se deu de maneira controlada, logo nos primeiros minutos, sendo que até 1h30min todas as cargas das Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro – Oeste foram restabelecidas. As cargas da Região sul foram recompostas totalmente por volta de 2h30min.
O tempo de recomposição total foi inferior às ocorrências deste porte já ocorridas no SIN.
Está programada para hoje reunião preliminar com os principais agentes envolvidos para identificar as causas e o ONS deverá realizar reunião preliminar de Análise da Perturbação para início de elaboração do Relatório de Análise da Perturbação – RAP até sexta-feira, 17/10.