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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na terça-feira (29), em entrevista à CNN Brasil, que o governo ainda tenta entender as motivações dos Estados Unidos ao incluir o Pix como um dos alvos da investigação comercial aberta contra o Brasil. A ação foi deflagrada pelo governo de Donald Trump após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.
Segundo Haddad, há um incômodo por parte de autoridades americanas com o fato de o Pix ser uma ferramenta pública e gratuita, criada e operada pelo Banco Central do Brasil. Ele destacou que, para o governo brasileiro, não há qualquer intenção de privatizar o sistema, e rejeitou a ideia de que ele represente ameaça à concorrência.
“Existe uma presunção de que o Pix deveria ser privado, render lucro para alguém. E isso não faz sentido. Ele não está concorrendo com ninguém — está substituindo o papel moeda, é uma forma que o Brasil encontrou de criar uma moeda digital”, declarou o ministro.
USTR cita o Pix como “obstáculo”
A crítica norte-americana partiu do escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), chefiado por Jamieson Greer. No documento que oficializa a investigação, o USTR aponta que ferramentas de pagamento estatais, como o Pix, estariam dificultando a entrada de empresas e soluções financeiras dos Estados Unidos no mercado brasileiro. A velocidade, eficiência e baixo custo do Pix seriam barreiras à competitividade, segundo a argumentação americana.
Haddad, no entanto, contestou essa tese. Para ele, há um mal-entendido ou uma tentativa de pressionar o Brasil por manter uma solução pública de acesso amplo à população. “A conversa esbarra numa percepção de que o Pix concorre com empresas privadas. Mas ele concorre é com o dinheiro em espécie. É um expediente que não pretendemos abrir mão”, afirmou.
O ministro também reforçou que o governo seguirá comprometido com a soberania do sistema financeiro nacional. “Queremos proteger as conquistas dos trabalhadores brasileiros, e vamos continuar fazendo isso, independentemente da medida que for tomada”, concluiu.
