Por Caio Spechoto e Mariana Brasil
(Folhapress) – O governo federal identificou riscos de quebra das safras do arroz e do milho por causa do El Ninõ, e se prepara para acionar usinas termelétricas para compensar uma provável redução da produção de hidrelétricas.
A avaliação foi exposta em reunião do presidente Lula (PT) com 21 ministros, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e representantes de outros órgãos públicos no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (29). O custo das medidas planejadas deve ficar na casa de R$ 1,3 bilhão, de acordo com apresentação da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.
O El Niño é um fenômeno climático que consiste no aumento da temperatura da água no oceano Pacífico, que causa alterações em regimes de chuvas, entre outras consequências. A previsão é que a elevação da temperatura passe de 2 graus, uma variação classificada por especialistas como muito forte. No Brasil, os efeitos devem variar por região.
“Se ele vai acontecer de forma grave, nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar para enfrentar alguma coisa grave. O que é duro é quando acontece alguma coisa que ninguém está preparado”, disse Lula na reunião, que teve uma parte transmitida na internet.
A expectativa é que haja secas ou atraso das chuvas nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. No Sul, o receio é com enchentes e deslizamentos causados por excesso de chuvas.
O governo espera escassez de água em reservatórios, com queda de geração de usinas hidrelétricas como Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, na região Norte. Isso deverá aumentar a necessidade de geração por fontes térmicas, com medidas para garantir o suprimento de combustível para essas plantas.
“Com a escassez nos reservatórios há uma queda na geração de energia hidrelétrica, tem que acionar as termelétricas. Portanto, a gente tem que garantir diesel para a termelétrica. No Norte nós temos um número pequeno de rodovias, uma parte importante da distribuição de combustível vai pelos rios. Se os rios também baixam, tem um ponto sensível que temos que monitorar”, disse Miriam Belchior.
A cúpula do governo também detectou o risco de quebra de safra de arroz e milho, e planeja aumentar os estoques desses gêneros agrícolas –mais 310 mil toneladas no caso do arroz e 180 mil toneladas no caso do milho. Essas compras custariam por volta de R$ 850 milhões.
O governo quer antecipar a distribuição de 160 mil cestas básicas que já seriam compradas e expandir em mais 350 mil desses kits de alimentos para o atendimento a populações como povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros.
“Estamos antecipando para, se der algum problema, já estar na região e facilitar a distribuição. Não esperar com tudo aqui e ter que levar, por exemplo, de avião”, disse a ministra. A aquisição dessas 350 mil cestas custaria R$ 65 milhões.

As demais ações contidas nos R$ 1,3 bi previstos para combater o El Ninõ são:
- Prevenção e combate a incêndios: R$ 337 milhões;
- Medidas de saúde pública: R$ 45 milhões;
- Monitoramento do nível dos rios: R$ 25 milhões;
- Aquisição de alimentos de agricultores: R$ 13 milhões.
Um dos pontos de atenção mencionados na reunião foi o abastecimento das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas (SP), uma vez que a expectativa é de que as chuvas demorem a cair no Sudeste.
Estavam presentes na reunião, além de Lula e Miriam Belchior, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os seguintes ministros: Wellington César Lima (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), André de Paula (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Tomé França (Portos e Aeroportos), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Eloy Terena (Povos Indígenas), José Guimarães (Relações Institucionais), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), José Múcio Monteiro (Defesa), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Dario Durigan (Fazenda), Márcia Lopes (Mulheres), George Santoro (Transportes), Bruno Moretti (Planejamento), Sidônio Palmeira (Secom) e Guilherme Boulos (Secretaria Geral).
Também participaram representantes dos ministérios das Cidades e da Igualdade Racial, além de Ibama, ICMBio e outros órgãos.