O governo federal deve se reunir na próxima terça-feira (29) com representantes dos clubes de futebol para avaliar os efeitos da decisão que proibiu as apostas de quota fixa, conhecidas como bets, no Brasil.
O encontro deverá contar com dirigentes das equipes e representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A discussão será conduzida por integrantes dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Esporte.
A principal preocupação dos clubes está relacionada à perda de receitas provenientes de patrocínios de empresas de apostas.
O setor se tornou uma importante fonte de recursos para o futebol brasileiro nos últimos anos, especialmente por meio de contratos de exposição de marcas em uniformes e outras propriedades comerciais.
Segundo dados divulgados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, os recursos provenientes das bets representaram, em média, uma parcela de um dígito dos orçamentos dos clubes. O governo pretende ouvir os dirigentes antes de definir eventuais medidas para minimizar os impactos financeiros.
A Medida Provisória publicada pelo governo em 25 de setembro proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa em território nacional. As empresas também terão de retirar materiais publicitários e de patrocínio até 5 de outubro.
Clubes já discutiam alternativas financeiras
A reunião ocorre em um momento em que clubes das Séries A e B também negociam com o governo uma alternativa para enfrentar o elevado endividamento do futebol brasileiro.
Uma das propostas em discussão envolve a criação de linhas de crédito com participação do BNDES, destinadas principalmente à reorganização de dívidas e, em determinados casos, a investimentos em infraestrutura. O formato, os valores e os critérios para acesso aos recursos ainda estão em negociação.
A possibilidade de perda dos patrocínios das bets aumenta a preocupação dos dirigentes, que avaliam que a redução das receitas pode dificultar o equilíbrio financeiro de algumas equipes.
O governo, por sua vez, afirma que primeiro pretende dimensionar o impacto da medida e ouvir clubes e federações. Eventuais ações de apoio deverão ser avaliadas somente depois desse diagnóstico.
